Era um sonho brasileiro, mas agora a Petrobras vê a sua história escorrer pelo ralo dos escândalos. Não há como deixar de ter esse sentimento de perda tão grande, diante de tantas fraudes. É como se fosse um parente que morreu de uma doença que não teve diagnóstico prévio, mas foi envenenado com um forte coquetel de poderosos venenos, e ainda não se sabe qual antidoto aplicar, pois não foi descoberto.

Também, outros fortes medicamentos de tarja preta parecem ter sido injetados na corrente sanguínea da população, que assiste inerte às mais mirabolantes e celeradas justificativas do que foi feito com as superfaturadas obras e desvios de dinheiro por parte de funcionários da estatal, políticos e donos de empreiteiras.

Os atuais gestores da Petrobras dizem que não tinham conhecimento das propinas e fraudes. A presidente da República também afirma desconhecer tudo que vem ocorrendo em termos de denúncias e, portanto, pede que tudo seja investigado.

Por conseguinte, contrariando o despacho do procurador geral da República, Rodrigo Janot, que fez fortes críticas à diretoria da Petrobras e disse esperar que a atual diretoria fosse substituída, a presidente do Brasil reafirmou confiar na presidente da Petrobrás e ratificou a permanência no cargo da gestora da estatal, alegando ser a mesma mais uma vítima de tudo que está acontecendo.

Por outro lado, o Congresso Nacional, encarregado de investigar a questão, apresentou um relatório superficial e não atribuiu culpa a ninguém. Depois voltou atrás e não disse nada de concreto. Parece o samba do crioulo doido.

O que está correto é que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que aceitou os benefícios da delação premiada foi preso na Operação Lava Jato da Policia Federal e acusou políticos do PT, PMDB e PSB de participação em desvio de dinheiro da empresa. Nesse caso indicou o doleiro Alberto Youssef como chefe de todo o esquema de pagamentos de propinas e desvios de dinheiro, oriundos de licitações fraudulentas.

Também, assim como o delator da Operação Lava Jato, Alberto Youssef, beneficiado pela delação premiada, entregou todo o esquema de desvios, além de formalizar a indicação dos nomes dos envolvidos nessa tremenda roubalheira que tanto desonra o nosso país.

Agora estamos com mais um nome em nossa cabeça, Venina Velosa da Fonseca, ex-gestora da empresa, que fez sérias denúncias contra os atuais gestores da estatal e entregou relatórios comprometedores para o Ministério Público e Policia Federal.

Em réplica, a diretoria da Petrobras disse que Venina está fazendo essas denúncias para fugir de um envolvimento com um suposto superfaturamento que envolve a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, quando essa atuava como gestora da empresa.

É certo que a imagem da Petrobras foi trincada mundialmente, como um cristal que perdeu o brilho e rachou. Nos Estados Unidos, ações judiciais estão sendo movidas por acionistas e no Brasil as ações da empresa estão a preços mínimos no mercado. A glória brasileira sofre com a credibilidade abalada, o que é confirmado pela queda de posição no ranking mundial. Fica a pergunta: O que será feito do Pré-Sal?

Não é possível que isso tudo se encerre numa grande pizza de samba,  recheada com ingredientes de abafa aqui e esconde lá, com molho picante de deixa para lá e, para apimentar,  um pouquinho de alguns bodes expiatórios, para servirem de exemplo e carregarem o fardo nas costas.

Em suma, para conhecer os problemas enfrentados pela Petrobras e as formas de investigação, nossa esperança está nas mãos do Ministério Público e da Policia Federal que, isentos dos preâmbulos distorcidos da politica, darão a resposta que o povo brasileiro tanto quer e espera. #Governo #Opinião