Estávamos em sala de aula, da antiga terceira série ginasial, quando um funcionário do colégio, interrompendo os trabalhos, anunciou o falecimento do presidente Getúlio Vargas e que seríamos dispensados. Ficou um clima estranho, pesado. O professor comentava sobre o ocorrido, atribuindo-o a um problema político que envolvia o deputado Carlos Lacerda. Orientava-nos que fôssemos diretamente para casa. A situação era grave. Era o ano de 1954.

Pelo rádio e pelos jornais, a notícia era de que a causa fora suicídio. Pressionado a entregar-se, o presidente não cedeu e atirou contra o próprio peito. E deixou uma carta com a célebre frase: "Deixo a vida para entrar na história".

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Com o tempo, porém, começaram a aventar a hipótese de assassinato, o que perdurou por muito tempo. Por fim, valeu o suicídio.

Depois de 1964, já afastado da vida política, o ex-presidente Juscelino Kubistchek morreu num acidente de automóvel na Via Dutra, e a suspeita foi a de que o tal acidente teria sido orquestrado. Suspeita que levou autoridades e interessados a realizarem investigações e perícias continuadas até mesmo recentemente. A conclusão foi de que se tratou mesmo de acidente.

Na eleição presidencial em que se permitiu a candidatura de um político da oposição, ainda sob o governo revolucionário, eleição indireta, Tancredo Neves, então eleito, não chegou a tomar posse. Vítima de uma diverticulite aguda, veio a falecer. Novamente mais suspeitas de que se tratava de uma morte premeditada.

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O corpo do ilustre brasileiro foi levado por várias partes do país, numa homenagem sob suspeita de morte provocada. Todo lamento, toda menção honrosa eram embalados por essa suspeita. Comprovações, no entanto, nos deram a certeza de morte natural.

Neste momento da história do Brasil, estávamos ainda sob a suspeita da causa da morte do ex-presidente João Goulart. Morte por enfarte ou por envenenamento? Devido ao fato de ter sido a morte de um político que foi afastado do cargo em razão de ato de tomada do poder, imaginou-se uma vingança com a eliminação de inimigo político. A suspeita estendeu-se até agora, acompanhada do trabalho de peritos que recolheram material submetido a 700 mil substâncias testadas como possíveis causas da morte. E não foi identificado qualquer vestígio de envenenamento. Apesar de que alegam que o laudo é inconclusivo, é preferível dizer que se trata de um meio de fugir do 'mico' da iniciativa, porque agora se confirmou o que sempre se soube: morte natural. Agora, entro eu com o que soube. João Goulart sempre teve problemas cardíacos, foi tratado por médicos especialistas, um dos quais identifiquei. Jango morreu de morte natural. Chega de inventar histórias. Mesmo porque, com morte natural ou por envenenamento, a família já levou o seu. E já lhe prestaram homenagens incomuns como essa de reconhecimento de mandato 'pós-mortem'. Caso encerrado. Há mais alguém? #Opinião