Sempre ouvimos falar que o povo não tem memória.

Confiantes nessa premissa, os políticos esquecem que são nossos representantes e agem em prol dos seus interesses pessoais ou de seus partidos. Assim, chegamos a um momento caótico em nossa história, que nos convida a repensar, com firmeza, se não é chegada a hora de mudar, ou se já passamos dela há muito tempo.

A aprovação, pelo Congresso Nacional, do PLC 36/2014, alterando a meta fiscal para que a presidente não tenha que responder por ter gasto além do limite, constitui um desastrado erro político. #Crise

Erro para com o Brasil, que ficará na história pelas consequências negativas que trará em bem pouco tempo.
Débito e crédito são palavras que representam situações antagônicas, e ninguém, por maior que seja o poder que detém, pode mudar tanto os conceitos, quanto a realidade delas.
Hoje os políticos transformaram o débito em crédito, por LEI, mas esqueceram que a mudança do nome não altera o fato. Dois mais dois é uma pergunta que admite apenas duas respostas: 4 ou 22. Agora, se estivermos falando da operação aritmética dois mais dois, a única resposta será 4.
O débito se chamará crédito, ou qualquer outro nome que se queira dar, mas continuará esperando o pagamento, custe o que custar. E custará muito!
Demos a ele um outro nome e o empurramos ladeira abaixo, mas, no caminho, ele vai parar de rolar em algum momento e estará esperando por nós.
Assemelha-se à situação de gastar o dinheiro da pensão do filho hoje, dando à dívida o nome de crédito alimentício (ou qualquer outro). No momento oportuno, quando chegar o dia de comprar material escolar, alimentos, roupas ou remédios, o dinheiro correspondente terá que aparecer de qualquer jeito, ou não haverá material escolar, nem comida, nem roupas e, muito menos, o necessário e urgente medicamento.
Quem vai pagar pelo prejuízo que virou lucro porque assim quis a presidente e assim quiseram os que negaram a representação que o povo lhes outorgou ? Quem responderá pelo numerário que vai "pagar o lucro"? Certamente não será a primeira mandatária, nem os irresponsáveis que lhe deram cobertura.
Nós, num momento de inflação, PIB enfraquecido, economia estagnada, orçamento todo cortado pelo Joaquim "mãos de tesoura", teremos que pagar por essa brincadeira de mal gosto de acreditar que a lei votada, mediante concessões e pressões, com desrespeito total aos clamores, com "gravatas" aplicadas em pessoas de idade, teve o condão de mudar o sinal de - (menos) para + (mais), num passe de mágica!
Se a presidente quisesse, com as benesses que ofereceu, conseguiria até mesmo que nosso Congresso modificasse a lei da gravidade….
O Brasil, ainda outra vez, será chamado de país não confiável, caindo no ranking das economias mundiais, e subindo naquele que nega credibilidade aos que não conseguem combater a corrupção.
Mas, pelo que estamos vendo acontecer na Petrobrás, isso não terá nenhuma importância para os envolvidos de hoje, pois estarão sempre à espera de outras oportunidades iguais, que satisfaçam a ganância de cada um.
Para os que têm memória, é só olhar a lista dos nomes, para ver quantos deles já estão vindo de outros escândalos.