Em setembro deste ano, numa reunião com empresários de Campinas, durante a campanha eleitoral, usou a expressão "nem que a vaca tussa". A expressão era para externar sua determinação de respeitar o trabalhador. Em consequência, o PT realizou campanha via internet utilizando uma vaquinha com os dizeres: "Mexer nos meus direitos? Nem que a vaca tussa". Depois, Dilma ainda publicou a frase "Tem coisas que eu não concordo, como mexer nos direitos do trabalhador e não abro mão nem que a vaca tussa". Grande promessa.

Neste momento do "novo" #Governo, a necessidade de reduzir os gastos em R$ 18 bilhões por ano, o milagre de ver a vaca tossir começa pelas mudanças na concessão de benefícios e pensões que constarão de medida provisória a ser encaminhada ao Congresso Nacional.

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Para disfarçar o constrangimento que seria para a presidente o anúncio das medidas, efetivação do milagre, reuniram-se os futuros ministros Nelson Barbosa, Miriam Belchior, Carlos Gabas, Manoel Dias e Aloízio Mercadante, sob a presidência deste último, este feito fiel escudeiro, para confirmá-lo. As medidas afetarão somente os novos beneficiários. Milagre da vaca!

Como não poderia deixar de ser, as centrais sindicais têm restrições. Convocados para uma reunião, sem antecipação, seus presidentes não compareceram nem mandaram representantes. Sobre alterações no PIS, há discordância entre dois ministérios.

Sintetizando as novas medidas:

1) O abono salarial (PIS) passa a ser proporcional ao período trabalhado (este deverá ser de pelo menos seis meses com carteira assinada no ano anterior).

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2) O seguro-desemprego (sem justa causa) é de direito na primeira solicitação depois de pelo menos 18 meses no emprego; na segunda, 12 meses; e na terceira, seis meses.

3) Auxílio-doença: o custo do trabalhador afastado para o empregador será de 30 dias, e será fixado um teto para o valor do benefício (valor correspondente à média dos 12 últimos salários de contribuição à Previdência).

4) Pensões: não haverá mais benefício vitalício para cônjuges até 35 anos. O valor da pensão corresponderá à metade e é acrescido de 10% por filho, até o limite de 100%. O dependente que completar a maioridade terá sua parte suspensa. Para ter direito à pensão, o contribuinte terá de contribuir por pelo menos dois anos para a Previdência, com exceção em casos de acidente de trabalho ou doença profissional. Deverá ainda ter o tempo mínimo de dois anos de casamento ou união estável. É o mesmo que vale para os servidores públicos.

5) Seguro-defeso: aquele que já recebe pensão não terá direito.

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É necessário comprovar três anos no exercício da profissão e um ano de contribuição à Previdência.

Há os que concordam com as medidas como "necessárias para corrigir distorções e reduzir o déficit da Previdência" como Leonardo Rolim, ex-secretário da Previdência Social. Outros como Rodolfo Torelly, ex-diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, acha que "o governo está metendo a mão no bolso do trabalhador".

A questão deve ser vista como providência administrativa de interesse público. Mas o lamentável é vir de encontro ao que a então futura administradora, em processo eleitoral, se valeu: de um inconsequente "vale tudo", equivalente à mentira, para iludir o eleitorado. #Legislação