No relatório de investigação da comissão da verdade nessa quarta-feira publicaram uma longa lista de métodos de tortura usados durante o regime militar de 1964 a 1985. Identificou-se 377 indivíduos como responsáveis por violações dos direitos civis. O relatório foi divulgado um dia depois de o Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos emitir o seu relatório sobre o programa de tortura da CIA durante a presidência de George W. Bush.

Esse relatório é esperado para reforçar os desafios de se encontrar e punir crimes ocorridos naquela época, ou seja, fazer justiça.

Dentre os tipos de torturas utilizados na ditadura militar podemos citar que algumas vítimas receberam golpes de paus na palma de suas mãos, em algumas salas de interrogatórios as vítimas eram penduradas nas paredes.

Publicidade
Publicidade

Em outros ainda eram introduzidos insetos pelo seu corpo. Entre os prisioneiros que foram submetidos à tortura e interrogatório está Dilma Roussef, ex-guerrilheira que agora é presidente do Brasil. Ela foi submetida a sessões de choques elétricos.

" Há dez anos atrás um relatório desse tipo seria impensável no Brasil", afirma Juana Kweitel, diretora da Conectas, uma importante organização de direitos humanos. "Essa situação é um ponto positivo para o país, podemos dizer que é um desenvolvimento histórico na consolidação da democracia brasileira."

Quase três décadas após o fim da ditadura no Brasil, muitas das 377 pessoas identificadas como tendo realizado os abusos estão mortas.

Enquanto isso, os líderes civis, incluindo Dilma e dois ex-presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, os quais foram tratados com severidade pela ditadura militar, abstiveram-se de confrontar as forças armadas sobre os abusos da época.

Publicidade

Eles optaram por uma abordagem menos conflituosa com ênfase no fortalecimento gradual da democracia no Brasil.

Claro que também pode ser puro comodismo, se as coisas já estão sendo difíceis na solução com o que acontece no presente, para que arranjar um outro problema revirando o passado?

No entanto, Dilma Rousseff chorou durante o discurso nessa quarta-feira em Brasília quando o relatório foi divulgado, referindo-se à necessidade do país de "reconciliação" e dizendo: "Esperamos que esse relatório evite fantasmas de um passado doloroso e triste e de buscar refúgio na sombras do silêncio e da omissão. "

As expectativas eram relativamente baixas quando a comissão iniciou seus trabalhos em 2011, mas a comissão se mostrou eficiente ao descobrir pessoas que morreram e desapareceram em um período estimado de 21 anos de #Governo autoritário. #Legislação