O Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo rejeitou as contas da campanha à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Contrariando o que seria de se esperar do jornalismo, a TV Globo deliberadamente omitiu essa notícia no Jornal Nacional de ontem, dia 10 de dezembro.   

Assim, o incauto telespectador ficou impossibilitado de saber que Alckmin teve suas contas rejeitadas e que o motivo foi o recebimento de doações na ordem de mais de oito milhões de reais sem comprovação da origem dos recursos, segundo a Procuradoria Eleitoral do Estado e o TRE-SP.

Na mesma edição, o Jornal Nacional espetacularizou a notícia da polêmica sobre a aprovação das contas de campanha da presidente Dilma Roussef (PT).

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Criou-se um clima de suspeitas, baseadas na divulgação de um relatório de funcionários do TRE, cujas inconsistências, como erros de soma e duplicação da contagem de valores, vieram a público antes do julgamento. Ao final, as contas da campanha da presidente foram aprovadas por unanimidade, inclusive com o voto do relator Gilmar Mendes e posicionamento favorável do Ministério Público.

Fica a pergunta: que critérios presidem a montagem da pauta daquele que já foi o principal meio de informação do país?  Seguramente, a notícia da aprovação das contas da campanha da presidente é importante e deve ser dada, mas o que justifica omitir, na mesma edição, a rejeição das contas eleitorais do governador do mais rico e populoso estado da federação, provável candidato à sucessão presidencial em 2018?

Não se trata sequer de ter havido um destaque excessivo a um dos casos, ou da espetacularização e novelização das notícias contra a presidente e seu partido, fato ao qual já todos se acostumaram.

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Vários jornalistas e comentaristas nas redes sociais usaram o silêncio do Jornal Nacional para demonstrar que torna-se cada vez mais difícil dizer que há jornalismo sendo feito ali. E que não há mais sequer a preocupação de disfarçar esse fato.

Se o Código de Defesa do Consumidor fosse aplicado ao Jornal Nacional, a TV Globo seria a campeã negativa do PROCON.







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