Em 1959, em Cuba, o ditador Fulgêncio Batista foi deposto por grupo comandado por Fidel Castro, instalando um governo que foi reconhecido pelos Estados Unidos. Mas, no ano seguinte, Fidel Castro nacionaliza as refinarias americanas, já por influência das relações cubanas com a União Soviética. Há ainda a expropriação de outros negócios americanos na ilha. Em 1960, reagindo, EUA determinam o embargo comercial a Cuba, poupando comida e remédios. Em 1961, Fidel faz a declaração que torna Cuba um país socialista, aliado da União Soviética, o que leva os EUA a tentar derrubá-lo, utilizando exilados cubanos numa fracassada invasão pela Baía dos Porcos.

Publicidade
Publicidade

A partir de 1961, relações rompidas. Em 1962, embargo total: a União Soviética instala mísseis nucleares em Cuba, causa de uma crise pela qual se temia uma guerra nuclear.

Este é o quadro inicial dos 53 anos, deplorados por Obama para o isolamento de Cuba pelos EUA, que, segundo ele, não funcionou. Que explicação teria Obama para essa afirmação? Deveria ter havido um momento para o fim do isolamento? O embargo foi terrível para Cuba, mas intensificou a apreensão de muitos países por tornar-se Cuba aliada de um opositor aos ideais democráticos, em plena Guerra Fria. Pior: tornou-se agente da intenção de estender o comunismo aos países da América. Prova disso é a intensificação de reações em vários países a essa intenção que redundou em excessos, hoje recriminados (Brasil, Argentina, Chile, etc).

Publicidade

Nesses anos, EUA tiveram 11 presidentes, escolhidos em eleições livres, e Cuba teve somente dois ditadores. E o embargo foi compensado pela grandiosa ajuda da União Soviética, até no esporte, em que Cuba se tornou grande potência. Não há tanto que reclamar. O momento talvez seja o que estamos vivendo, com a ausência de Fidel (quantos crimes cometeu, quanto abusou do poder?) e seus pares, o fim da Guerra Fria e o fracasso do regime implantado lá e nos demais submetidos à União Soviética.

Há muito que comentar sobre a relação EUA-Cuba. Quem mais perdeu nesses anos foi o povo cubano. E talvez seja essa a inspiração de Obama. Quanto aos dirigentes de lá, está na hora da renúncia e da convocação de eleições livres, com a volta do regime democrático. Cuba livre, não servindo de falso modelo para os que ainda acreditam no socialismo e para os que são convencidos a acreditar. Fim do isolamento é bom pretexto.

O que faltou vai funcionar mais adiante com total liberdade, e Cuba deixará de ser um país carente de ajuda e cooperação de outros países, simpatizantes daquilo que não funcionou lá e nos demais da União Soviética. Em vez de ajudar governos e suas elites, ajudar o povo com uma democracia plena. Democracia sem elite corrupta funciona.