Após a entrega de várias notas fiscais pelos advogados de Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, que seriam comprovantes de pagamento de propina, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto afirma ter pago propina por meio de doações legais ao Partido dos Trabalhadores (PT). Tem sido bastante comum na atual política o pagamento de numerários para 'agilizar' ou 'garantir' que determinadas empresas sejam beneficiadas nas contratações para realização de obras públicas e prestações de serviços. Esses valores usualmente são repassados 'extraoficialmente', com a ida de políticos ou outras pessoas de confiança às empresas para buscar o dinheiro, que quase sempre era alocado em envelopes.

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Em depoimento ao Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR), Augusto Ribeiro de Mendonça Neto afirma ter pagado propina ao ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, através de doações oficiais ao PT realizadas por 3 empresas. Em troca de um acordo de delação premiada e de uma possível redução de pena, os executivos envolvidos no escândalo levantado pela operação lava jato começam a contar o que sabem do esquema. Ao MPF/PR Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Camargo admitiram a realização de pagamento quem somam cerca de R$154 milhões de reais em propina aos operadores do PT e do PMDB, e que o dinheiro teria sido pago como garantia de que a empresa fosse a escolhida para executar pelo menos 6 projetos para a Petrobras.

Mendonça Neto ainda afirma ter pago propina a Renato Duque, entre os anos de 2008 e 2011; o dinheiro teria saído do contrato para construção da refinaria REPAR e também de doações oficiais ao PT.

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O executivo afirma ainda que teria sido pessoalmente orientado por João Vaccari, tesoureiro do PT, a fazer as doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores. O executivo Júlio Gerin de Almeida Camargo disse ter doado mais de R$2.6 milhões de reais para as campanhas do PT nos anos de 2008 a 2012 e afirma ainda que as doações foram espontâneas.

Camargo ainda admitiu que Fernando Soares, mais conhecido como baiano, solicitou doações de US$15 milhões para facilitar negociações com a diretoria internacional da Petro, pagamento este que, segundo Camargo, foi realizado. As investigações apontam que Fernando Soares seria o operador do PMDB no esquema de propina, mas o partido nega a informação. Ainda no depoimento, Mendonça Neto afirma que 16 empresas integravam o chamado 'clube das empreiteiras', em que as obras da Petro eram divididas para atender os interesses das empresas.

Oito das empresas investigadas na operação têm prazo de 30 dias para prestar esclarecimentos à Controladoria Geral da União (CGU) que, depois de analisar o material compartilhado pela Justiça Federal do Paraná, determinou a abertura de processo administrativo. As empresas podem ser impedidas de realizar novos contratos com a administração pública. Os partidos políticos citados afirmam que todas as doações recebidas se fazem dentro da legislação eleitoral vigente.