No dia 10 de dezembro, quarta-feira passada, foi apresentado o relatório resultante da CPI da Petrobras (Reta final da CPI da Petrobras) no qual não é recomendado o indiciamento dos envolvidos nas denúncias de corrupção, apenas "corrobora e ratifica" os indiciamentos outrora adotados e sugere aprofundamento das investigações na Operação Lava Jato.

A data prevista para votação do relatório pelos integrantes da CPI será no dia 17 de dezembro e no dia 22 é o prazo final de funcionamento da comissão. No dia 12, um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestar sugerindo a demissão da Diretoria atual da Petrobras, uma voz feminina surge para reforçar essa decisão para o Governo Federal.

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Trata-se das denúncias evocadas pela ex-gerente executiva da Diretoria de Refino e Abastecimento, Venina Velosa da Fonseca.

Coragem no poço de petróleo

No próprio dia 12, à noite, a Petrobras divulgou comunicado oficial, informando que a ex-gerente "teve a oportunidade, mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa". Como assim? Se as denúncias realizadas por Venina evidenciam mensagens datadas desde 2009 alertando a atual Presidente, Maria das Graças Foster, indicada em 2012 pela Presidente Dilma Roussef, sobre ilegalidades em contratos e licitações da empresa? Afinal era para a executiva ter anunciado o fato à imprensa nessa ocasião? Nessa época, um dos delatores da operação lava jato, Paulo Roberto Costa, era quem dava as ordens na Diretoria de Refino e Abastecimento.

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Algumas denúncias realizadas no período de 2004-2012: pagamento de R$ 58 milhões para serviços não realizados na área de comunicação em 2008 (encaminhado ao Diretor Paulo Roberto Costa); desvios na implantação da refinaria de Abreu e Lima, Pernambuco (encaminhado, via e-mail, à Diretora e Gás e Energia, Maria das Graças Foster). Após denúncias, a executiva foi transferida para Cingapura, na Ásia. Será que foi como reconhecimento? Entretanto, pelo visto, Venina não parou, e antes dos escândalos de corrupção, a executiva mais uma vez tentou alertar Graça Foster sobre fraudes no exterior, em unidades da Petrobras. A executiva e geóloga. Venina foi afastada em novembro, por não cumprimento dos procedimentos corretos de contratações.

Considerada testemunha chave da operação lava jato, ainda na sexta-feira, dia 12, a Câmara dos Deputados encaminhou ao Ministério da Justiça pedido de proteção pela Polícia Federal, de Venina Velosa da Fonseca. Em entrevistas realizadas, a funcionária da Petrobras aponta inclusive ameaças veladas à segurança da suas filhas e tentativa de queima de arquivo. Realmente tem que ter muita coragem para abrir mão de segurança, posição profissional, risco de receber críticas e se comprometer ao esquema em prol do código de ética. #Crise