Mesmo com um desempenho considerável em dezembro, e apesar da receita extraordinária arrecadada durante todo o ano, o Brasil fecha as contas do ano de 2014 no vermelho, e com um inédito déficit primário. Inédito, sim, pois desde que o atual sistema de contas foi adotado, em 1997, é a primeira vez que fechamos com um resultado negativo. O sistema utilizado anteriormente baseava-se em outros critérios para realizar o cálculo, o que significa que não pode ser usado para comparação nesse novo método.

Muitas dívidas foram 'roladas' de 2013 para 2014, e ainda mais dessa prática foi utilizada de 2014 para 2015. Essa nova 'velha' forma de lidar com as dívidas públicas está ruindo as contas nacionais, causando uma bola de neve, que pode acabar destruindo tudo que tem sido construído na economia brasileira desde 1994, com o Plano Real e o controle da inflação.

A equipe que está assumindo essa bomba em 2015 tentou impedir que algumas das dívidas anteriores, de 2013 e 2014, fossem pagas dentro do vencimento previsto, mas as alterações recentes na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) permitiram que as dívidas (inclusive algumas obrigatórias) fossem postergadas.

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Grande problema que reside nisso tudo é a questão da confiabilidade do país a nível mundial, o que obviamente limita as chances de crescimento e de novas aplicações serem atraídas para o Brasil. Para evitar a tragédia total que parece estar sendo anunciada, a nova equipe anunciou algumas medidas que visam diminuir esse impacto sobre a nossa economia, mas em detrimento de outros setores também econômicos.

Um pacote de reajustes batizado de 'Realismo Tarifário' pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, provavelmente aumentará a carga tributária, já tão pesada em nosso país, e, por conseguinte, aumentando o ritmo da inflação, e diminuindo o ritmo de crescimento considerado natural para esta época do ano no Brasil.

Agora cabe a nós, eleitores e/ou meros expectadores brasileiros, fazermos nossa parte e pressionarmos, de uma ou de outra forma, os governantes a agirem de acordo com nossas expectativas.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo. #Dilma Rousseff