A notícia que mais tem sido comentada nos últimos dias nas redes sociais, causando uma avalanche dos mais variados pensamentos críticos, debates acalorados, pontuações anexadas com links em que autores diversos discorrem a respeito, é a questão da pena de morte na Indonésia, que levou um brasileiro a ser condenado por ela. Mais um brasileiro aguarda o desfecho em que a lei daquele país, assim como a de outros, estabelece pena de morte para traficantes.

Mas, no Brasil, apesar das diversas opiniões contrárias ou a favor sobre o fato ocorrido, o momento é oportuno para uma reflexão maior, ou seja, chega-se à conclusão de que, no nosso país a pena de morte já se faz presente todos os dias, simplesmente por conta de uma sociedade em estado bruto, onde a tônica das relações sociais se resume numa barbárie constante no dia a dia.

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Já estão penalizados todos os cidadãos que têm que trabalhar quatro meses do ano comercial somente para pagar tributos, e não poder contar com o retorno na prestação de bons serviços públicos de qualidade, entre eles, saúde, #Educação e segurança.

Historicamente, o contexto político do nosso país já nasceu corrompido, assim como a implantação do sistema republicano com seus marechais se digladiando, torturando os pobres escravos que receberam uma carta de alforria, cuja libertação seria algo surreal, em face das transformações que viriam, posteriormente, a evidenciar a escalada das desigualdades afins, entre os guetos denominados favelas e, na contemporaneidade, comunidades.

Destarte, qual a relação de tudo o que se está vivenciando hoje no Brasil com essa execução, um país cuja imagem está cada vez mais arranhada e desmoralizada, porque não fez nesses 125 anos de república o dever de casa? Que moral tem um país para questionar as leis de outros países, se não cumpre com as suas e ao "pé da letra da Carta Magna" com todos os preceitos constitucionais que lá estão inseridos, principalmente para começar em se tratando seus artigos 5º e 6º que falam dos direitos fundamentais e sociais?

Enquanto isso, o país continua considerado no ranking mundial como sendo um dos mais desiguais do planeta, bem como enfrentamos o crescimento avassalador da violência, corrupção e tráfico de drogas, enfim, máfias, guerrilhas e Cia.

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Ou seja, para resumir, seria bom se as pessoas parassem de ser evasivas em alguns discursos e entendessem que o narcotráfico, conforme assinala José Arbex Jr em seu livro 'Narcotráfico, um jogo de poder nas Américas' retrata essa relação do tráfico de drogas que sempre se fez e faz presente na relação com governos, empresários e judiciário. Não vamos ser hipócritas em não acreditar que muitos governos foram e são postos em seus cargos políticos com suas campanhas financiadas pelo tráfico.

Discutir a questão da pena de morte é tão válido quanto refletir sobre as questões que, intrinsecamente, têm levado a nossa população a ser condenada a duras penas de morte, por falta de atendimento todos os dias nas filas de hospitais públicos, no trânsito que mata por ano cerca de 300 mil pessoas, bem como, segundo dados recentes do IBGE, pelo crime organizado, que ceifa aproximadamente 150 mil pessoas por ano. Nesse caso, urge a essa nação acordar e olhar o que acontece na sua casa antes de desejar olhar e emitir algum parecer sobre as demais nações.

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Entre as demais questões que nos afligem neste século XXI, os desejos ambientais hoje permeiam no universo a sentença de morte de um planeta que agoniza e torna-se consequência desse mesmo progresso desigual, voraz, mercadológico e assassino, que faz com que as transformações globais, sob o signo do "fim da história", deixem a impressão de que as ditas nações mais potentes nessa teia global, já condenaram à morte todas as outras dos demais hemisférios. #Comunicação