O agora ex-príncipe talvez não fosse tão importante quanto o que merecia o tratamento pelo diminutivo do nome por quem os credenciou. Mas tinha poder e regalias. Ainda com a pose de alteza, dirigiu-se à primeira classe na British Airlines, em Londres e acomodou-se (aliás, não era a primeira vez). Curtiu vinhos, espumantes e algo mais, por tempo superior a dez horas de voo. Incomodado com pensamentos de incerteza, mas instalado, confortável. Conseguiu dormir, sonhou...

Esperava chegar ao aeroporto, no Rio de Janeiro, encontrar seu advogado, ir para o hotel, instalar-se, descansar porque precisaria comportar-se como quem tem de enfrentar o andamento de processo como réu.

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Mas não! Teve voz de prisão preventiva!

Preso e levado para a carceragem da Polícia Federal de Curitiba onde se processam as investigações da Operação Lava-Jato. Já era acusado por pagamento de propinas a políticos provenientes de desvios de recursos da #Petrobras. Agora, a acusação se deve a movimentos financeiros suspeitos: registros de transferências de imóveis por valores acima do preço de mercado. Desvio de recursos de um fundo de previdência em seu nome para depositá-los na conta de sua filha Raquel Cunat Cerveró. Ou seja, a investigação se prende a saber se Cerveró, dentro do recesso judiciário, tentou lapidar ou mesmo ocultar seu patrimônio, para evitar que fosse alvo de arresto dos bens ou até fossem usá-los no caso de uma possível fuga.

Também é sabido que, em agosto de 2014, Cerveró transferiu imóveis para os filhos, já sendo investigado, no valor de R$ 560 mil, com o levantamento da justiça apontando o valor de cerca de R$ 7 milhões.

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Mas há ainda a busca da Polícia Federal de mais imóveis pertencentes a Cerveró, dois em Ipanema e mais dois, um no Humaitá e outro em Petrópolis.

Sobre ele ainda pesam acusações de corrupção passiva de lavagem de dinheiro, na 13ª Vara Criminal Federal do Paraná: consta que teria recebido propinas, uma no valor de US$ 40 milhões (aquisição de navios-sonda da Samsung, com intermediação da Toyo Seal), outra de US$ 15 milhões (contrato de navio-escola na exploração de petróleo no México) e mais US$ 25 milhões (aquisição de outro navio-sonda, na África).

Estão também no caso, Renato Duque (contas na Suíça e desvio de US$ 102 milhões e acusado de cobrar propinas); Paulo Roberto Costa (negócios com desvio de R$ 320 milhões); Pedro Barusko (propostas de aditivos fraudulentos em contratos de gasodutos e propina de U$ 22 milhões da SBM).

Príncipes da propina na explorada monarquia da Petrobras. #Opinião