Nestor Cerveró, ex-presidente da #Petrobras, foi preso ao desembarcar no Rio de Janeiro, no Aeroporto Internacional do Galeão, após voltar de Londres na madrugada de hoje (14), por volta das 0h30 . Ele foi responsável por diversos cargos de diretoria na empresa entre 1975 e 2014, mas ganhou as páginas de periódicos do Brasil após fazer o relatório que levou a Petrobras a adquirir a Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que se mostrou prejudicial à empresa e foi o caso mais representativo da corrupção de seus bastidores.

A prisão foi feita pela Polícia Federal e decretada como preventiva pela Justiça Federal após novos fatos serem revelados na Operação #Lava Jato, que afirmou que Cerveró é suspeito de ter tido diversas atuações criminosas enquanto estava na administração da empresa.

A Operação Lava Jato divulgou uma nota afirmando que Cerveró é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, ocultar patrimônio para atrapalhar as investigações e “indícios de que ele continua praticando crimes.” A Operação encontrou transferências de dinheiro feitas para alguns de seus familiares. A Polícia Federal foi à casa de Cerveró e outros endereços que pudessem ter ligação com ele, todos no Rio de Janeiro.

Após a prisão preventiva, o ex-diretor foi levado para Curitiba, cidade que está servindo como base para todas as investigações, às 7h da manhã. Amanhã (15), ele deve dar depoimento ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Mas até lá, ficará preso na carceragem da Polícia Militar de Curitiba.

Ao falar ao jornal da GloboNews, Edson Ribeiro, advogado do ex-diretor, afirmou "estranhar" a prisão preventiva de seu cliente. Ele afirmou também que não há motivos para a prisão e que Cerveró voltou de viagem apenas para cumprir sua obrigação de prestar depoimento amanhã - ele estava em Londres desde dezembro de 2014.

Entenda o caso

A acusação contra Nestor Cerveró foi oficializada em dezembro. Nela, afirma-se que o ex-diretor ganhou 15 milhões de dólares para consolidar um contrato com a empresa Samsung, com negócio feito com mediação de Fernando Baiano. Baiano é operador do PMDB e também é réu em Curitiba por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Após Cerveró ter recebido a propina, recomendou à diretoria da Petrobras contratar a empresa por mais de 585 milhões de dólares.

Em outra etapa, e também por mediação de Baiano, Cerveró recebeu 25 milhões de dólares para que a Samsung conseguisse mais um contrato, dessa vez com custo de mais de 615 milhões de dólares. No total, arrecadou-se 40 milhões de dólares de corrupção envolvendo Cerveró e Baiano.

Os dois também seriam os responsáveis pelo esquema de cartel que, entre outros partidos, arrecadou entre 1% a 3% para o PMDB - o PT e PP também são acusados de receber essa porcentagem dos contratos da Petrobras como forma de abastar suas campanhas. Após ter sido acusado de receber o pagamento indevido da Samsung, Cerveró negou todas as acusações à CPI da Petrobras.

E Pasadena?

Cerveró foi o responsável pela aquisição dos primeiros 50% da Refinaria de Pasadena em 2006. Em 2014, a compra se mostrou desastrosa após o Tribunal de Contas da União divulgar relato informando que ela foi a responsável por um prejuízo de mais de 790 milhões de dólares para a estatal. A acusação a Cerveró é a de que ele elaborou parecer favorável ao negócio para o Conselho de Administração da Petrobras.

O seu advogado também afirma que toda e qualquer contratação feita por seu cliente foi regular e legítima.