O historiador anglo-americano Moses Finley costumava dizer que todos os movimentos revolucionários da antiguidade tinham o mesmo programa: cancelar dívidas. A Grécia, nesse domingo, é a primeira nação europeia a adotar as políticas de ajustes da #União Europeia.

Os gregos vão à urna hoje (25) e se as pesquisas estiverem exatas, darão vitória à coalizão radical de esquerda com o partido Syriza, liderado por Alexis Tsipras. Seriam os primeiros europeus a enfrentar a política de ajuste econômico projetada em Berlim, Bruxelas e Frankfurt. Alexis propõe um plano para dar um impacto social na miséria, auxiliando aos mais pobres e a uma classe média que está em uma situação precária.

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Alexis promete que dentre suas ações vai pagar o FMI, o BCE e a dívida deixada pelos bancos privados, principalmente os gregos. Mas ele quer revisar os termos de 70% da dívida grega.

O líder conservador da Nova Democracia, Antonis Samaras, tem feito uma campanha baseada no medo de Syriza. Ele disse que a Grécia está no caminho certo, os sacrifícios darão seus frutos e que o partido Syriza quer causar um duro impacto no país. Pesquisas indicam que a campanha eleitoral durante a semana só serviu para ampliar a vantagem para Alexis e que a estratégia do medo de Samaras, que foi a mesma usada em 2012, agora pode ter falhado.

Nick Malkoutzis, vice-diretor do Athens diário, que tem sido observador da crise desde o inicio, alerta para outro problema: "Syriza é um partido novo, tem apenas dois anos, possui uma experiência em circunstâncias normais.

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Isso pode não ser um problema, pois a situação da Grécia é tão precária que o menor deslize pode ser mais prejudicial ainda . "

O próximo passo para Alexis é a coligação com outros partidos caso não consiga a maioria parlamentar. O terceiro nas pesquisas é para Potami, centrista e pró-europeu. Ideologicamente muito diferente do Syriza, mas com prioridades de programa em comum.

Se Tsipras obtiver a maioria parlamentar, não será necessária aliança com outro partido, a esquerda do SYRIZA teria seus objetivos máximos alcançados. Mas se Syriza pactuasse com Potami seria bom um parceiro do governo de Bruxelas e Alexis ainda teria uma desculpa para dizer para os gregos que em tais circunstâncias pode não atingir todos os seus objetivos. "Eu não quero mudar meu país, eu quero mudar o país", declarou Alexis.