O partido de extrema esquerda Syriza ganhou ontem (25) as #Eleições da Grécia. O partido venceu o Nova Democracia, que representa o atual primeiro-ministro Antonis Samaras. Com cerca de 70% dos votos apurados, o partido de extrema esquerda conseguiu 149 cadeiras do Parlamento, que tem um total de 300. Já o segundo colocado de centro-direita conseguiu 77 cadeiras.

Antonio Samaras, primeiro-ministro atual já reconheceu a vitória de seu oponente e o cumprimentou. Em um de seus últimos momentos no poder, Samaras afirmou que aceita e respeita a decisão da maioria do povo grego. O partido de extrema esquerda fez uma campanha prometendo uma postura de anti-austeridade.

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Ao que tudo indica, sete novos partidos farão parte do parlamento, o que inclui o Amanhecer Dourado, partido neonazista. O porta-voz do Syriza comemorou ao dar um depoimento no canal de TV Mega. "É uma vitória histórica e uma mensagem que não afeta apenas os gregos, mas também ressoa em toda a Europa e traz alívio", disse ele.

Com a Grécia passando por uma grave crise econômica, o partido vencedor propôs durante sua campanha renegociar quase toda dívida do país e acabar com medidas de austeridade. Ao mesmo tempo que isso atrai boa parte do povo, as medidas assustaram o mercado, que temem que a Grécia passe por mais uma crise econômica, com perigo de sair da zona do euro.

Essa vitória assusta principalmente potências como Alemanha, Reino Unido e França, pois a Grécia pode romper compromissos financeiros já firmados entre o bloco e ter influência negativa nas contas públicas do país, que já está com a economia frágil.

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David Cameron, primeiro ministro britânico, afirmou que a vitória do partido aumenta as incertezas sobre a Europa, mas que o Reino Unido manterá o seu plano de oferecer segurança "dentro de casa". Já Jens Weidmann, presidente do Banco Central da Alemanha, pediu que o Syriza não fizesse promessas ilusórias para a população.

Logo após os primeiros resultados da eleição serem divulgados, a praça Klathmonos, em Atenas, recebeu milhares de militantes do partido e líderes de outros países. No total, quase 10 milhões de pessoas estavam aptas para votar.

O que pode acontecer após a vitória da extrema esquerda

Essa foi a primeira vez que um partido que prega a antiausteridade venceu na zona do euro. Por isso, o resultado imediato à vitória foi a incerteza sobre a relação que o país terá com o restante da União Europeia a partir de agora. Muitos também acreditam que a vitória do Syriza pode fazer com que partidos de extrema esquerda de outros países da União Europeia ganhem força, como o Podemos, da Espanha.

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Para Alexis Tsipras, o líder do Syriza, a vitória de seu partido representa, acima de tudo, o fim de uma era em que a Grécia estaria sendo "humilhada" pelos demais países de seu continente. Segundo ele, o partido irá acabar com as ordens vindas do exterior. E isso é mais um fator que gera nervosismo no mercado financeiro e faz com que alguns prevejam ainda mais turbulência no país. Muitos acreditam também que o país tende a sair da zona do euro.

Nos últimos anos, milhares de gregos começaram a viver abaixo da linha da pobreza, o desemprego atingiu a marca de 26% - e de 50% entre os jovens 0 e a economia diminuiu 25%.