Acontece nesse domingo (01) a eleição para o presidente da Câmara. São quatro os candidatos ao cargo: Arlindo Chinaglia (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG). O cargo de presidente da Câmara tem uma grande importância política no Brasil e por isso é extremamente disputado pelos deputados eleitos.

Um exemplo do seu valor é que ele é o terceiro na sucessão presidencial, só abaixo do presidente e do vice-presidente da República; o quarto na sucessão é o presidente do Senado. Além disso, o chefe dos deputados tem poder para arquivar ou dar provimento a pedidos de impeachment.

Favoritos

Os dois favoritos a ocupar o cargo são Arlindo Chinaglia e Eduardo Cunha.

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Cunha, que se candidatou ano passado e desde de lá faz massiva campanha eleitoral, já conseguiu apoio de diversos partidos, como Solidariedade, DEM e PRB. O próprio PMDB, partido aliado do PT, está rachado e pretende apoiá-lo, contra a vontade do Planalto Central.

Azarões

Os outros dois candidatos são completos azarões e não devem conseguir muitos votos. O próprio partido do Chico, PSOL, não acredita em vitória e decidiu se candidatar mais como um protesto ao que está sendo feito na Câmara, como relata Ivan Valente. "Ele demarca um campo importante na Câmara. O PSOL, quando lança um candidato, é para deixar claro que não concordamos com os outros candidatos ou não nos identificamos com eles. Nosso colégio eleitoral na Câmara é muito marcado pelo fisiologismo, pelo clientelismo da casa".

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Importância do cargo

O fato é que a eleição realizada nesse domingo vai ter um grande impacto na política brasileira. Como o presidente depende muito do poder legislativo para poder governar e as #Eleições de 2014 tiveram como marca o Congresso mais conservador desde da ditadura militar de 1964, é de suma importância para uma melhor governabilidade que o PT consiga eleger o seu candidato.

O motivo é que presidente da Câmara tem como umas das suas principais funções escolher os projetos e propostas de emenda à Constituição que serão votadas em plenário, além do poder de acelerar ou retardar votações. Isto é, Eduardo Cunha tem o poder de selecionar quais projetos vão ser votados ou não, e, provavelmente, pouco selecionará de sugestões que seriam "benéficas" para o Planalto Central. Por isso, seria importância Arlindo Chinaglia ser eleito.

Projetos barrados

Caso Eduardo Cunha ocupe o cargo, vários projetos primordiais na visão do governo serão empacotados, como a regulação econômica da mídia, como ele mesmo diz.

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"Quero reafirmar que seremos radicalmente contrários à qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia. Não aceitamos nem discutir o assunto", diz ele.

Além disso, Eduardo já tem um histórico de atuação contra projetos petistas, como a medida provisória que regulamentou o sistema portuário, a Lei de Acesso à Informação e o Marco Civil na Internet. Ou seja, o PMDB, que já tem o controle do Senado e deve continuar a tê-lo, basta o Renan Calheiros confirmar a sua candidatura, vai ter também o controle da Câmara. E tanto poder assim para um só partido não seria bom para a democracia brasileira.