Dilma resolveu representar o Brasil e demonstrou firmeza ao decidir por não receber a credencial do embaixador da Indonésia. No último momento, o governo brasileiro adiou o recebimento das credenciais do embaixador da Indonésia, Toto Riyanto. Essa foi apenas a primeira resposta sobre a decisão da pena de morte que até o momento, será aplicada ao brasileiro Rodrigo Gularte, pelo crime de tráfico de drogas na Indonésia.

O embaixador iria entregar suas credenciais nesta sexta-feira, 20 de fevereiro 2015, no Palácio do Planalto. Toto Ryanto compareceu formalmente à cerimônia, mas foi informado que não seria recebido pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

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Para não causar transtornos e constrangimento entre os embaixadores das outras nações, o embaixador da Indonésia foi retirado pela porta lateral.

Para amenizar a situação, a assessoria de imprensa do governo brasileiro disse que Dilma iria falar sobre o caso do brasileiro com o embaixador da Indonésia. Entretanto, ela decidiu tomar uma atitude mais forte para demonstrar a insatisfação brasileira com o caso. Depois de receber 5 embaixadores de 'nações aliadas', Dilma informou que precisa saber em que condições estão as relações entre Brasil e Indonésia. Somente após esse entendimento, o Brasil estará pronto para receber as credenciais. Dessa forma, o que aconteceu foi apenas um atraso do recebimento das credenciais.

Vale ressaltar que essa é a 2° ação diplomática que o Brasil toma contra a Indonésia.

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Quando o brasileiro Marcos Archer foi fuzilado pelo crime de tráfico de drogas, o Brasil retirou seu embaixador do país por aproximadamente 10 dias. Além disso, o fato de não receber credenciais é uma ação séria que pode gerar polêmica e um desconforto entre os países envolvidos. O Brasil não tem registros recentes sobre a ação de negativa de credenciais. Este fato demonstra a real insatisfação do Brasil referente ao tratamento imposto aos brasileiros presos na Indonésia.

É necessário entender que o simples fato da presidente não receber as credenciais não altera o trabalho do embaixador, desde que sua nomeação seja aceita pelo país anfitrião. Todavia, o modo como aconteceu, em que o embaixador foi avisado de última hora e o fato da notícia estar sendo divulgada na imprensa internacional, com certeza, é motivo de constrangimento para o embaixador e os representantes do governo da Indonésia.

O Brasil está negociando a transferência de Rodrigo Gularte para um hospital psiquiátrico, pois há registro no laudo médico garantindo que ele sofre de esquizofrenia.

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Vale lembrar que, essa ideia não fere a soberania da Indonésia, pois de acordo com a lei do país, os condenados a morte devem ter plena consciência do crime e de sua punição.

Nesse aspecto os agentes do governo da Indonésia estão dificultando, pois eles querem que uma junta de médicos reavaliem o brasileiro. Entretanto, o prazo para a execução está em andamento. Mesmo que ainda não haja uma data específica para o fuzilamento, uma vez que a morte já foi adiada, a qualquer momento o brasileiro pode morrer sendo "inocente", pois na verdade, ele está doente, sofrendo de esquizofrenia.

Dilma demonstrou firmeza e convicção em sua atitude. Agora o desconforto perante a situação já existe. As autoridades da Indonésia estão dispostas a enfrentar uma crise diplomática contra o Brasil, apenas para executar uma pessoa que sofre de esquizofrenia?