A Câmara dos Deputados lançou um edital de procedimento de manifestação de interesse (PMI), na última sexta-feira, 27, com o intuito de atrair interessados para uma parceria público privada (PPP). As empresas que mostrarem interesse deverão participar da reforma e construção de um conjunto de prédios, orçado em mais de um R$1 bilhão.

Para o primeiro-secretário da Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), a construção e reforma dos novos prédios tem como objetivo acabar com os "puxadinhos", melhorando a condição de trabalho dos deputados e servidores. Mansur também diz que a casa possui R$ 300 milhões disponível, oriundo da venda da folha de pagamento de funcionários.

O presidente da casa, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a expectativa é que a iniciativa privada cubra a maior parte dos gastos. No período de eleição para a presidência da Câmara, Cunha tinha prometido a construção de novos gabinetes para os deputados. A obra terá 332 mil m², segundo informa o PMI. O anexo IV será reformado. Os 432 gabinetes hoje existentes darão lugar, depois da reforma, a 264 novos gabinetes com 60 m², aumentando o tamanho dos atuais, que é de 40 m².

Entre as construções está a de um prédio com 10 andares e três subsolos, que abrigará 256 gabinetes de 60 m² cada. Além disso, um outro prédio terá um auditório com capacidade para 700 pessoas, além de salas de reuniões e auditórios de menor capacidade.

Apesar de não utilizar a palavra shopping, o novo anexo terá um centro comercial, com lojas que ofereçam serviços aos deputados e que em uma possível parceria público privada, poderá ser explorada por empresas. Depois da reforma, os prédios abrigarão 4,4 mil vagas, sendo que apenas 20% será de uso exclusivo dos deputados, as outras poderão ser alugadas.

A obra coloca os deputados na contra mão da situação atual do país. Depois do aumento de regalias que foi muito questionado, a obra de reforma e construção de um novo anexo também chama atenção pela seu alto custo. Para os deputados, a construção é uma necessidade, já que muitos parlamentares estão em gabinetes improvisados. #Finança