Após o ataque às torres do Word Trade Center, em 11 de setembro de 2001, o Governo norte-americano intensificou suas ações militares nos países do Oriente Médio. Durante esse período centenas de pessoas foram presas sob a suspeita de estarem ligadas a atos de terrorismo. Muitos foram encarcerados na prisão militar estadunidense de Guantánamo, em Cuba. Passado alguns anos, seis ex-prisioneiros - 4 sírios, um palestino e um tunisiano - foram soltos e recebidos como refugiados pelo governo uruguaio. Mujica, ex-presidente do Uruguai, contou sua história de guerrilheiro Tupamaro e sobre os 13 anos em que ficou preso aos ex-prisioneiros.Segue abaixo o depoimento de três deles sobre a nova vida no Uruguai.

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As informações são da Agência Brasil/EBC.

Abdelhadi Faraj - sírio, de 34 anos. Foi libertado há três meses, após mais de 10 anos preso em Guantánamo. Ele foi preso em 2002, quando tentava atravessar a fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Ele sairia de Guantánamo em 2009, mas a guerra civil na Síria tornou o retorno ao seu país de origem inviável. Faraj, em carta publicada no jornal El Pais, agradeceu o acolhimento do país sul-americano: "Se não fosse pelo Uruguai, eu ainda estaria naquele buraco negro em Cuba". Em entrevista à Agência Brasil, o sírio disse ainda não acreditar que está livre e ainda tenta se adaptar à nova realidade. No pequeno período em que mora no Uruguai, ele aprendeu a dirigir e está estudando espanhol. Ele pretende trabalhar como açougueiro, mas, segundo ele, ainda precisa compreender a cultura de cortar carne dos uruguaios: "Eu sei cortar a carne de acordo com o rito muçulmano, que é diferente do jeito que fazem aqui".

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A presença da prisão ainda reflete em seu corpo: "ainda não me recuperei do tempo que passei em Guantánamo: tenho dor de estômago, asma e me sinto cansado", diz.

Jihad Diyab - sírio. Perdeu um de seus filhos - que morreu há mais de um ano - enquanto estava preso em Guantánamo. Sua mulher e seus outros três filhos correriam risco de morte, segundo ele. Eles estão na Síria - país do qual tentavam fugir - após terem sido devolvidos pela Turquia. Diyab aguarda a resposta da Cruz Vermelha e da resolução de trâmites internacionais para tentar trazê-los ao Uruguai.

Diyab disse ter sido torturado durante o período que esteve em Guantánamo. Ele processou os EUA após fazer greve de fome e ter um tubo enfiado, pelos carcereiros, no seu nariz com o intuito de alimenta-lo à força.

Abdul Ourgi - tunisiano, 49 anos. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos cita-o como um especialista em explosivos, e que teria informações sobre os planos de Osama Bin Laden de atacar o World Trade Center.

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Ele diz que após os bombardeiros norte-americanos, nas montanhas afegãs, perdeu um pedaço do polegar e ficou com cicatrizes pelo corpo. Ele garante que parte do documento não é verdade e ressalta que o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, recebeu um documento do governo dos EUA, atestando que nenhum dos ex-prisioneiros recebidos pelo país é terrorista ou representa alguma ameaça.

Agora a preocupação de Ourgi é se sustentar no novo país: "Durante 13 anos, eu só pensava em sair de Guantánamo - agora, tenho que me preocupar com a comida, a roupa, as contas, em um país caro. Mas não é tão fácil quanto parece - 90 dias é pouco tempo para se acostumar à liberdade, se recuperar de Guantánamo e buscar emprego". Ele deseja trabalhar como cozinheiro e, no futuro, abrir um restaurante árabe. Trazer a sua mãe - há 25 anos eles não se encontram - ao Uruguai é outro objetivo de Ourgi.