Domingo, 26 de outubro de 2014. Chegava ao fim uma das eleições mais disputadas da história do Brasil. De um lado, #Dilma Rousseff, ungida pelas classes mais baixas a um leve favoritismo nas pesquisas e com a promessa da manutenção de um plano de governo vinculado aos mais desassistidos. Do outro, Aécio Neves, apontado como sinônimo de mudança para um país mais transparente e de economia sólida.

Em meio a esse antagonismo de ideologias, com ataques de um lado a outro, #PT e PSDB iniciavam sua sexta "final" e os brasileiros conheceriam seu novo (ou velho) presidente. Qualquer resultado poderia acontecer. De norte a sul, o clima era de tensão, incerteza e nervosismo.

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Não para uma pessoa.

Por volta das 17h30, João Santana chegava ao Palácio da Alvorada para acompanhar a apuração ao lado do alto clero do Partido dos Trabalhadores: Franklin Martins, Aloizio Mercadante e Giles Azevedo. Serena e estranhamente distante, Dilma desceu por volta das 18h e somou-se ao grupo na biblioteca. Por algum motivo, Lula e Rui Falcão chegaram mais tarde. Até as 20h, ninguém sabia de nada. Santana, porém, demonstrava um semblante tranquilo, confiante na vitória, com a calma e alegria que sempre lhe acompanharam.

Sim, havia vida antes do marketing político. Baiano de Tucano (ele garante que é apenas o lugar de nascimento), João Santana aventurou-se na música, no jornalismo e, claro, na vida boêmia. Mulato de olhos verdes e saltados, mulherengo arretado, enfileirou mulheres, filhos e casamentos até parar em Mônica Moura - esposa e consultora particular para todos os assuntos. 

Ao cansar-se do jornalismo e da rotina de uma redação, deixou a sucursal do Jornal do Brasil e, enfim, entrou de cabeça na política, participando ativamente da gestão de Mário de Melo Kertész na prefeitura de Salvador, entre 1986 e 1988.

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A partir de então, valendo-se do seu conhecimento em comunicação e do feeling político, não parou mais de eleger presidentes pelo mundo afora. Foram sete ao todo. Sua especialidade é em países menores da América do Sul, onde sua empresa Pólis tem enorme área de atuação.

Estava presente no núcleo de campanha da primeira eleição do presidente Lula, de 2001 para 2002. Em princípio, trabalhou ao lado de Duda Mendonça. Depois, não deu mais. Há quem diga que eram dois leões no mesmo prato. Santana preferiu sair, mas sabia que iria voltar. Talvez não imaginasse que fosse tão cedo, logo na reeleição de Lula em 2006, quando Mendonça já havia se desligado do partido por conta da ligação do seu nome ao mensalão.

Desde então, o baiano João Santana é o ministro particular de Lula e Dilma. Prepara textos, figurinos, chamadas, conselhos, imagens e pronunciamentos. Nesta biografia, João Santana: um marqueteiro no poder, o experiente jornalista Luiz Maklouf Carvalho ilumina um personagem mítico, de trajetória pública, para além dos limites das campanhas presidenciais.

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Naquele mesmo domingo, já com o urro da vitória expulso da garganta, Dilma queria saber que cor vestiria para o discurso da vitória. Santana apontou a Lula, que estava de branco, e disse: "Vá de branco! Além de tudo é a sua cor mais fotogênica". Imperdível.