Na tarde de ontem, quarta-feira, 11, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi até o gabinete do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois estão envolvidos na Operação Lava Jato, porém, Mendes está na segunda turma do STF, que está encarregada da maioria dos inquéritos. Enquanto Cunha está no grupo dos políticos acusados de terem participado do esquema de corrupção.

Ao sair do rápido encontro, Gilmar Mendes negou que a conversa teria sido sobre o processo de Eduardo Cunha. O Ministro apenas informou que essa conversa vai ficar para a hora do inquérito. No entanto, após a reunião, o Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador Fernando Collor (PTB-AL), que também estão sendo acusados pela Operação Lava Jato, se encontraram com o chefe da Câmara. Nenhum dos políticos quiseram prestar informações sobre o conteúdo da conversa.

O encontro de ontem não foi o primeiro do Presidente da Câmara com algum ministro do STF. Na última terça (10), Cunha se reuniu com o Ministro Dias Toffoli, que foi transferido para a segunda turma do Supremo Tribunal Federal, a que está julgando os casos da 'Lava Jato'.

A transferência de Dias Toffoli para a segunda turma do tribunal causa polêmica, pois, o mesmo era advogado do PT, além de ter sido indicado pelo ex-presidente Lula ao cargo de Ministro do STF. O PT é um dos partidos que respondem sobre a corrupção na Petrobras.

O que alimentou a polêmica foi o encontro de hoje entre o Ministro Dias Toffoli e a presidente Dilma Rousseff. O Ministro informou que o assunto conversado não foi as acusações da 'Lava Jato', mas sim, uma proposta do Tribunal Superior Eleitoral.

As Turmas do STF

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal decidiu que investigações e processos criminais contra políticos passariam a ser analisados por uma das turmas em que o tribunal é dividido. Cada um dos grupos conta com cinco ministros. O Presidente do Supremo Tribunal Federal é o único que não participa de uma das turmas.

No caso da Operação Lava Jato, a segunda turma ficou encarregada dos inquéritos, que tem como relator o Ministro Teori Zavascki. O Ministro Zavascki é quem vai poder autorizar os tipos de medidas de investigações a serem usados.

Os únicos inquéritos que vão ser analisados por todos os Ministros do STF, incluindo o Presidente, são os quatro processos que envolvem os mandatários da Câmara e do Senado. Segundo as leis, os presidentes só podem ser julgados pelo plenário, onde atuam todo o grupo de Ministros do STF. #Governo