A Copa do Mundo do Brasil acabou há seis meses, mas o país ainda sofre "derrotas" - agora, fora de campo. Por todo o país, foram realizadas várias obras para tornar a festa mais atraente e segura para os brasileiros e mais de 1 milhão de torcedores estrangeiros, incluindo a construção de novos estádios e ampliações de ruas e de estações de transporte público.

Em Mato Grosso, estado da região centro-oeste do país, um grande projeto destacou-se: um teleférico orçado em quase R$ 600.000, que quase não saiu da planta. A obra seria destinada a atrair mais turistas para uma região de beleza privilegiada, a Chapada dos Guimarães.

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Localizada a 70 km de Cuiabá, a Chapada é um município de forte vocação turística. Abriga vários sítios arqueológicos, paleontológicos, nascentes, cachoeiras, cavernas e um Parque Nacional de 3.300 km². As riquezas naturais, aliadas ao artesanato típico, fazem da Chapada dos Guimarães um grande polo de visitação do Estado.

A natureza exuberante do lugar, no entanto, não poderá ser admirada do alto do bondinho. Uma auditoria interna revelou que o contrato firmado entre o governo do estado e a empresa Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais trazia inúmeras irregularidades, como ausências de licitação e de licenças ambientais.

O pagamento antecipado e a localização da obra em terras particulares aumentaram as suspeitas sobre as intenções dos envolvidos no acordo, o que levou o Ministério Público a pedir o cancelamento do contrato através de uma ação civil pública.

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A construção foi interrompida e a sentença divulgada nesta sexta-feira condenou o responsável pelo projeto, o ex-gestor da Secretaria da Copa do Mundo em Mato Grosso, Yuri Bastos Jorge, a devolver todo o montante aos cofres públicos, corrigido.

Procurado pela imprensa, Jorge negou qualquer responsabilidade sobre as irregularidades. Atribuiu possíveis erros a outra secretaria do estado, dando sinal que não pretende pagar por dívidas "alheias" - mesmo tendo sido ele a autorizar o pagamento irregular à empresa contratada.

O Ministério Público Estadual ficará encarregado da cobrança ao ex-secretário. O que não se sabe, contudo, é se todo esse dinheiro será devolvido ou se o Brasil terá mais um motivo para não sentir saudade da Copa. #Futebol #Corrupção