Foi aprovada nesta terça-feira (24), no Senado Federal, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que ficará responsável em apurar possíveis irregularidades nas contas relacionadas a brasileiros, no caso do vazamento que foi batizado de "Swissleaks". Serão investigadas pela CPI 8.667 contas de clientes do banco HSBC na Suíça.

Em uma sessão vazia, ficou definido por aclamação que os senadores Paulo Rocha (#PT) e Ricardo Ferraço (PMDB) serão responsáveis respectivamente pela presidência e relatoria da Comissão. A vice-presidência será de Randolfe Rodrigues (PSOL), que foi o autor do requerimento pedindo a instalação da CPI.

Publicidade
Publicidade

Investigações

A CPI irá investigar eventuais irregularidades realizadas pelo HSBC na abertura das contas que foram utilizadas por seus correntistas entre os anos de 2005 e 2007, para manter seu dinheiro sem realizar a declaração. Os valores chegam a U$ 204 bilhões que foram ocultados ao Fisco de mais de 100 países. No Brasil, o montante chega a U$ 7 bilhões. Investigações feitas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos dão conta que artistas, empresários e políticos fazem parte da lista de sonegadores.

A CPI terá um prazo de 180 dias para realizar suas investigações e apresentar um relatório sobre o caso. O próximo encontro será na quinta-feira (26).

Raio X da CPI

As três posições mais importantes da Comissão são dadas pela proporção de assentos de cada legenda no Senado.

Publicidade

Como PT e PMDB são os responsáveis pela maioria das vagas, ficam sempre com esses cargos. Por acordo firmado entre os representantes, o PT cedeu a posição de vice-presidente a Randolfe, por seu trabalho como requerente da CPI e o recolhimento das assinaturas para a investigação.

  • Presidente Paulo Rocha: o petista faz parte da base de apoio do Governo e foi investigado pela CPI do Mensalão em 2005, mas foi absolvido.
  • Vice-presidente Randolfe Rodrigues: por ideologia do PSOL, Randolfe é considerado de oposição e independente ao governo ou da oposição majoritária. Espera-se que por essa postura, ele busque investigar a fundo tanto os responsáveis pelas contas como o próprio banco.
  • Relator Ricardo Ferraço: é um dos integrantes da bancada do PMDB, que faz parte da base do governo, que mudou a postura de outros tempos e vem fazendo oposição à presidência.