Com as relações estremecidas pela recusa temporária da presidente Dilma Rousseff em receber as credenciais do diplomata indonésio Toto Riyanto, na última semana em retaliação ao pedido de clemência em favor do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, que apesar dos esforços do #Governo brasileiro foi executado no dia 17 de janeiro, o governo indonésio ameaça reconsiderar a relação comercial de compra de material militar do Brasil.

Segundo a publicação no jornal "Jakarta Post" de 24 de Fevereiro, o vice-presidente indonésio Jusuf Kalla disse que o governo está repensando sobre a aquisição de um esquadrão de 16 aviões fabricados pela Embraer EMB-314 Super Tucano, para a Força Aérea da Indonésia e estuda a possibilidade de cancelar também a encomenda de lançadores de foguetes múltiplos (MLRS) do Brasil.

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Em meio à tensão diplomática, o presidente Joko Widodo que tomou posse em Outubro passado, anunciou que as execuções dos 11 condenados, entre eles Rodrigo Muxfeldt Gularte, condenado por tráfico de drogas desde 2005, não serão canceladas ou suspensas e frisou que os outros países não devem interferir no direito de praticar a pena de morte.

"A primeira coisa que eu preciso dizer firmemente é que não deve haver qualquer intervenção na pena de morte porque é nosso soberano direito de exercer nossa lei.", disse Widodo, em uma possível resposta aos pedidos da presidente Dilma Rousseff, da França, Holanda e Austrália, para que os condenados destes países não fossem executados.

Diagnosticado com esquizofrenia, o paranaense Rodrigo Gularte de 42 anos, que está preso desde 2004 por tentar entrar na Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe, pode ser poupado do fuzilamento em último recurso de ser transferido para um hospital, se o laudo assinado por um médico do serviço público de saúde do país for aceito pela Justiça.

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A legislação proíbe a morte de um prisioneiro que não esteja em plenas condições mentais, o condenado precisa ter consciência do crime cometido e da punição. De acordo com o Itamaraty Gularte já apresenta sinais de esquizofrenia há anos mas a avaliação psiquiátrica que confirma a doença só foi realizada agora, entretanto deve aguardar autorização do diretor da penitenciária e aprovação da promotoria da Indonésia, que já afirmou que solicitará laudo complementar psiquiátrico antes de aprova-la.

As relações bilaterais também estão deterioradas com a Austrália, que na semana passada elevou a pressão para poupar a vida de dois condenados australianos por tráfico de drogas, motivo que causou mal estar após citação do primeiro-ministro Tony Abboyy sobre a ajuda humanitária enviada após o tsunami de 2004, que devastou a região e deixou mais de 200 mil vítimas.

O governo da Indonésia já ignorou os apelos de clemência de diversos países, e pretende executar oito, dos 133 prisioneiros que estão no corredor da morte ainda este ano, no entanto a data das execuções ainda não foram divulgadas e devem ser anunciadas com 72 horas de antecedência.