Como resposta dos indianos aos reclamos de inclusão social, seu primeiro-ministro Narendra Modi recebe o resultado do estudo de seus técnicos e publica um anúncio de interligação de todo o país via a distribuição de sinal de internet, disponível a todos. As primeiras perguntas, em um país de tamanha diversidade social, não seria apenas mais uma intenção que não irá sair do papel, como tantas outras já efetuadas por políticos em todos os cantos do planeta? Promessas não cumpridas não são exclusividade dos indianos.

O primeiro-ministro quer espalhar a revolução da informação para todas as províncias indianas. Novamente a pergunta fica no ar: como? Em um país onde a escassez de energia elétrica é um dos principais problemas.

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O choque entre o velho mundo e o novo mundo tem como exemplo a cidade de Varanasi, o lar de centenas de macacos que vivem em seus templos e são cuidados pelos monges. Os mais céticos consideram que os macacos também irão se banquetear com a fibra ótica que corre ao longo das margens do Ganges.

Os instaladores reclamam que os macacos comem tudo o que se implanta nas margens do rio sagrado, reclama o engenheiro AP Srivastava, chefe das comunicações. A inexistência de alternativas, depois de várias alternativas, pode abortar parte do ambicioso projeto. Pior para os engenheiros, já que Varanasi faz parte do reduto eleitoral do primeiro-ministro, que insiste em que seus eleitores sejam atendidos.

Por outro lado em diferentes localidades a falta de eletricidade impede que as ondas WI-FI cheguem aos lares miseráveis, em uma banda extra larga, com velocidades altas, pela qual nós brasileiros pagamos um incompreensível absurdo.

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O que o governo quer não é pouco. Ele deseja colocar 700 mil quilômetros de cabo de banda larga para conectar 250 mil conjuntos de aldeias, em um prazo de três anos e construir 100 novas cidades inteligentes até 2020, isto além de mudar a situação da educação e saúde, deficientes no país. Parece estar mais para promessas efetuadas por políticos brasileiros em tempo de eleição.

Para complicar e satisfazer os macacos, o primeiro ministro insiste em que Varanasi seja o primeiro de eventuais 2.500 lugares apontados como elegíveis para ter disponível em suas casas o desejado WI-FI. O governo quer que até 2017 um total de 250 milhões de indianos tenham acesso às tecnologias da informação e da comunicação.