As manifestações que foram propagadas há pouco tempo, convocadas pela direita brasileira, serviram para alimentar os entusiastas da Intervenção Militar. Alguns disfarçados entre a multidão, que berra pedindo o 'impeachment da presidente 'Dilma Rousseff', o fim da 'Corrupção' e, com mais ardor, ainda exigem a 'Intervenção das Forças Armadas'.

Durante a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), era muito comum guerrilheiros se conhecerem no exílio e se apaixonarem. Foi assim que aconteceu com os pais da pedagoga 'Nasaindy Barret de Araujo', eles se encontraram em Cuba e logo estavam juntos, com um bebê no colo. O pai da menina voltou ao Brasil para a luta armada.

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A mãe, pouco tempo depois, também retornou. A pequena ficou tutelada por uma exilada amiga da família. Seus pais foram mortos no Brasil, eles eram integrantes da 'Vanguarda Popular Revolucionária' (VPR).

Nasaindy conta que sua infância foi muito triste e ela pouco sorria. 'Meus primeiros anos foram muito tristes, dizem que eu chorava demais', relata. Segundo ela, foi doloroso entender porque seus pais a deixaram em um país estranho e voltaram à militar no Brasil. 'Ouvindo o clamor das pessoas pedindo intervenção militar no país e o medo que o novo Golpe de Estado possa acontecer a qualquer momento, fizeram-na compreender melhor a atitude de seus pais', diz a pedagoga.

Na famosa imagem em que aparecem os 40 presos políticos trocados pelo embaixador Anton T.L. Von Holleben, todos podem ver uma garotinha de apenas quatro anos, é 'Zuleide Aparecida dos Nascimento', ela foi fichada e banida do Brasil ao lado da avó e dos irmãos, todos direto para o exílio em Cuba.

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'No nosso país não podíamos ser crianças, a preocupação era a mesma dos adultos, não morrer', conta.

Mesmo reconhecendo, aliviado, que as pessoas que desejam tanto a Intervenção Militar são minoria, Ernesto Dias do Nascimento, que também foi criança na Ditadura, vê nisso um movimento de ódio e fascismo, algo que só discrimina. 'Essa minoria, não se incomoda de ser chamada assim, eles continuam fazendo propaganda e levando sua mensagem com marchas direitistas', disse. Por ocasião do último protesto (12), foi verificado a presença de pelo menos quatro carros de som pedindo a Intervenção Militar.

'O que eles chamam de Revolução, foi 'O Golpe de 64' e foi desse jeito que aconteceu', diz Zuleide. #Governo #Manifestação #Corrupção