O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou, nesta sexta-feira (10), em um evento para empresários e funcionários do ramo de tecnologia, que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) passa por uma crise de liderança.

Como sinais da incapacidade de Dilma em liderar o país, Fernando Henrique apontou a indicação do vice-presidente Michel Temer para o cargo de articulador político do Planalto. De acordo com ele, passar a responsabilidade da articulação para as mãos de alguém com ideias diferentes das defendidas pelo partido do governo e pertencente a outra sigla, indica a dificuldade da presidente em resolver os problemas políticos por seus próprios modos.

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Além disso, ele aponta também a escolha de Joaquim Levy para comandar o Ministério da Fazenda como mais um indício do grau do abalo na liderança vinda do Palácio do Planalto. Para ele, o que Dilma fez foi 'dar a chave do cofre' para alguém com pensamentos bastante divergentes dos seus, em um momento em que seus meios já não eram mais capazes de apontar soluções factíveis para os problemas das contas públicas e da iminente recessão econômica pela qual, segundo projeções, passará o Brasil este ano.

Durante sua fala, o ex-presidente era aplaudido todas as vezes em que fazia críticas à atual mandatária. FHC ainda definiu a situação vivenciada pelo Brasil como 'delicada' e afirmou que a saída para a crise do governo passaria pelos protestos de rua, por um melhor funcionamento da justiça e por uma ação de denúncia por parte da mídia sobre a real situação vivida pelo país.

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As declarações do ex-presidente ganham ainda mais força quando se considera o fato de que uma nova manifestação contra a presidente Dilma está marcada para o próximo domingo (12), daqui a dois dias.

Questionado sobre como definiria o quadro alarmante vivido pelo setor elétrico, Fernando Henrique Cardoso afirmou que a presidente Dilma merecia um 'Nobel ao contrário', arrancando risos da plateia. Para ele, é necessário que a questão energética seja resolvida para que o Brasil possa avançar. O ex-presidente ainda comentou os casos de corrupção na Petrobras durante a palestra.