Na tarde chuvosa desta terça-feira, 14, mais de mil e quinhentas lideranças indígenas de diversos povos, fizeram vigília em frente ao Supremo Tribunal Federal- STF - para protestar contra três decisões recentemente tomadas pelo tribunal, que ferem os direitos adquiridos pelos povos indígenas.

Para marcar a presença expressiva de tantas lideranças nesta nova Mobilização Nacional Indígena, antecedeu a vigília e uma marcha pacífica. Ao som de maracás e apitos, as lideranças gritaram as palavras de ordem "Fora PEC 215" ao passarem pelo Congresso Nacional, enquanto os guerreiros apontaram suas flechas e bordunas para a cúpula do prédio.

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O STF, isolado por forte aparato policial, foi cercado pelos indígenas, que passaram a cantar e a dançar durante mais de uma hora sob a chuva intensa. 'Essa chuva toda é para lavar o STF', declararam alguns, clamando para que os ministros cumpram sua missão de garantir os direitos indígenas adquiridos na Constituição Federal de 1988, ao invés de cassá-los.

Três decisões da 2ª Turma do Supremo, tomadas entre setembro e dezembro de 2014, anularam os processos de reconhecimento de terras indígenas no Mato Grosso do Sul e Maranhão, que se encontravam em etapas diferentes de demarcação. As terras Guyraroká (MS), do povo Guarani Kaiowa; Porquinhos (MA), dos Canela Apanyekrá; e Limão Verde (MS), dos Terena, não seriam terras indígenas.

A grande preocupação dos povos indígenas e seus defensores é que estas decisões sejam tomadas negando o esbulho, isto é, a remoção forçada de suas terras pelo Estado, durante a ditadura militar, como apurado pela Comissão Nacional da Verdade - CNV - em seu relatório publicado em dezembro de 2014.

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A psicanalista Maria Rita Kehl, autora do capítulo indígena do relatório da CNV, escreveu nesta terça uma carta para sensibilizar os ministros, que foi protocolada nos processos das terras no STF. Aponta que no esbulho destas terras indígenas foram fartamente documentadas as formas de resistência que os povos Guarani Kaiowá e Terena adotaram para permanecer, mesmo de forma precária, nos fundos das fazendas da Terra Indígena Guyraroka e também no Limão Verde. #Manifestação