Em documento enviado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na tarde desta terça-feira (7), o juiz Sergio Moro, responsável pelas investigações da Operação #Lava Jato, defendeu a legitimidade e a importância de autorização para a quebra de sigilo bancário e fiscal de José Dirceu. Além dos dados pessoais do ex-ministro da Casa Civil, o juiz também defende a quebra dos sigilos da empresa de Dirceu, a JD Assessoria e Consultoria.

A motivação para o pedido de Moro encontra-se em declarações feitas por empreiteiros presos pela Polícia Federal, durante uma das fases da Operação. De acordo com alguns deles, a empresa teria sido utilizada para obtenção de propina advinda do esquema de corrupção na Petrobrás.

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Além disso, o alto faturamento da JD Assessoria e Consultoria, ocorrido entre os anos de 2006 a 2013, também levanta suspeitas. De acordo com dados da Receita Federal, foram 29,9 milhões de reais obtidos pela empresa. Na verdade, os proventos da mesma são ainda maiores. Cerca de 9,9 milhões de reais, que teriam vindo de pagamentos feitos por empresas estrangeiras, não foram contabilizados pela Receita.

Os anos mais lucrativos para Zé Dirceu foram os de 2012 e 2013. O primeiro foi justamente o ano em que o ex-ministro foi condenado por envolvimento com o Mensalão. Os ganhos de 2012 foram os maiores da história da empresa, com o recebimento de 7 milhões. Em 2013, o faturamento da JD Assessoria e Consultoria foi de 4,159 milhões de reais.

De acordo com Moro, as quebras de sigilos bancários de empreiteiras investigadas pela Lava Jato mostraram diversos pagamentos de consultorias à empresa de Dirceu.

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Diante do exposto, o juiz federal considera imprescindível a aprovação para que se tenha acesso aos dados bancários da JD Assessoria e Consultoria, bem como do ex-ministro, já condenado em outro esquema de corrupção.

A manifestação de Sergio Moro é resultado de processos movidos por José Dirceu, que solicitavam a suspensão da abertura de seus dados. Após decisão favorável do desembargador João Pedro Guebran Neto, que autorizavam a quebra de sigilo dos dados do ex-ministro, Zé Dirceu recorreu com a afirmação de que a decisão era ilegal. #Justiça