O Haiti, no Caribe, é o país mais pobre da América. Com uma longa história de opressão, tornou-se independente da França em 1804. A independência não melhorou as condições de vida da população, que passou por governos autoritários e várias revoltas. Em janeiro de 2010, com uma guerra civil em andamento, o país já devastado sofreu um forte terremoto, que destruiu grande parte de seu território, deixando 300 mil mortos e outros 300 mil habitantes na mais absoluta miséria.

A soma destes acontecimentos instigou a população a fugir, em busca de sobrevivência.

Missão da ONU

Criada em abril de 2004, uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU), tinha como objetivo restaurar a ordem no Haiti, desde então mergulhado em revoltas violentas.

Publicidade
Publicidade

Coordenada pelo Brasil, que já gastou na empreitada mais de 2 bilhões de reais, a missão se encerra em 2016. Na época em que assumiu a tarefa enviando suas tropas, o governo brasileiro pretendia ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e a ajuda humanitária seria a estratégia política para tanto.

Um longo caminho

Talvez tenha sido a presença do exército brasileiro o maior incentivo para que os haitianos escolham o Brasil como destino. Porém para chegar até aqui, há uma longa viagem. Partindo da capital Porto Príncipe, vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana. Dali, de avião chegam ao Panamá, de onde partem de avião ou ônibus para Quito, no Equador. Por terra, cruzam o Peru até Iñapari, que faz fronteira com Assis Brasil, no Acre. Por fim viajam até Brasiléia, também no Acre.

A viagem continua

Tião Viana, Governador do Acre, relata que neste ano já recebeu 6.146 imigrantes e estima que nos últimos quatro anos, 38 mil já entraram no país.

O Brasil concede hoje mais de cem vistos por mês aos cidadãos haitianos.

Publicidade

Segundo o Ministro da #Justiça, José Eduardo Cardoso, este número vai aumentar, para evitar a entrada ilegal, além da exploração e maus tratos por parte de organizações criminosas de tráfico humano.

No dia 19 de maio, os governos de São Paulo e do Acre fizeram um acordo com o Ministério da Justiça, para que não sejam mais enviados imigrantes para SP. Também o Acre não tem mais condições de absorver tantas pessoas.

A saída é continuar a viagem e buscar emprego na região sul, tendo como um dos principais destinos a cidade de Caxias do Sul (RS). Sem falar português e muitas vezes sem a qualificação necessária para as vagas existentes, os haitianos enfrentam outros desafios, como o preconceito. Mas ao olharem para trás e pensarem no país que deixaram, certamente nenhum desafio seria maior do que permanecer em sua terra natal. #Desemprego #Opinião