Ao comprar um litro de leite, você pensa que está comprando leite. Porém, você pode estar comprando também: água, bicarbonato de sódio, sal, açúcar, amido de milho, larvas, ureia e até mesmo álcool e soda cáustica. Você pode pensar que sal e açúcar não fazem mal, se não for hipertenso ou diabético. Água, todo mundo toma. Amido de milho não deixa de ser um alimento. Mas apenas isto, sem considerar os ingredientes químicos e cancerígenos adicionados ao que se vende como leite, já constituiriam uma fraude.

Nesta quarta-feira (13), foi deflagrada a oitava etapa da chamada Operação Leite Compensado, que desde 2013 investiga fraudes no leite que é produzido no Rio Grande do Sul.

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Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, três de prisão cautelar (quando a pessoa responderá o processo em liberdade) e oito de busca e apreensão, nas cidades de Campinas do Sul, Jacutinga e Quatro Irmãos, todas no norte do Estado.

Na primeira fase, que teve início em 8 de maio de 2013, o Ministério Público revelou que as transportadoras adicionavam ao leite cru, água, para aumentar a quantidade do produto, e ureia (que contem formol) para disfarçar a perda nutricional. Na ocasião, foi comprovada a adulteração em cerca de 100 milhões de litros de leite.

De lá para cá, apesar das denúncias, prisões e do fechamento de postos de coleta e distribuição, os fraudadores continuaram agindo.

Desta vez não foram detectadas substâncias cancerígenas nas 39 amostras coletadas, mas em absolutamente todas havia sinais de adulteração, inclusive com produtos químicos para disfarçar o leite azedo.

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Com o intuito de economizar combustível, as transportadoras faziam menos viagens e recolhiam leite velho, que era misturado ao leite novo. Em escuta telefônica, um dos acusados revela que larvas foram encontradas no leite, quando foi feita a mistura do leite bom com o vencido em um dos tanques. Ainda por telefone, ri ao dizer que a produção seria dobrada.

Na etapa anterior da operação, o Ministério Público denunciou criminalmente 22 pessoas. Uma transportadora investigada então, que trabalhava para a Cooperativa Gaurama, passou a atuar para a Cooperativa de Pequenos Agropecuários (Coopasul), que aceitava leite vencido ou adulterado com produtos como bicarbonato de sódio e soda cáustica.

Segundo o Promotor Alcindo Bastos, este leite era distribuído para as indústrias Piracanjuba, Tangará Foods, Lactalis, Cotal e Tambinho, todas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Porém não só gaúchos e catarinenses devem se preocupar com o problema, pois em outras fases da investigação, o produto fraudado era distribuído também no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

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Considerando que para os ocidentais o leite é um alimento básico, consumido por quase toda a população e especialmente por crianças, há que se pensar em uma mudança de hábitos.

A pergunta que não quer calar é: a fraude ocorre apenas no Rio Grande do Sul, ou simplesmente em outros estados não está sendo investigada? #Crime