“Está acabando, Zé”.

“Não, está só começando...”

Quando a vantagem obtida por #Lula na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidencias de 2002 já era praticamente irreversível para o então candidato da situação, José Serra, o marketeiro do Partido dos Trabalhadores, Duda Mendonça, esbanjando alívio e satisfação, dirigiu-se ao coordenador máximo da campanha, José Dirceu. Para Duda, era hora de comemorar o desfecho positivo. Coube a Dirceu tratar de alertá-lo: ali era apenas o início.

Dirceu tinha razão. De lá para cá, somam-se 12 anos de governo petista com a garantia democrática de mais três. Ao passo que os avanços de cunho sociais são flagrantes, como a erradicação de mais de 30 milhões de brasileiros da linha da miséria e a redução histórica do desemprego, os desvios éticos e a corrupção endêmica propulsora de casos como o mensalão, com Lula, e o petrolão, com Dilma, desafiam a estabilidade de um governo que, no momento, não sai do lugar.

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Nos bastidores, comenta-se que o próprio núcleo central do partido está rachado. De um lado, a corrente que defende a volta do presidente Lula em 2018 e ignora o enfraquecimento político evidente na atual governante Dilma Rousseff. Do outro, o staff direto da presidenta, andando na linha tênue causada pela sombra do retorno do maior padrinho político. Para aparar essa e mais tantas outras arestas que transformam o governo em um nó, o 5° Congresso Nacional do #PT, realizado de quinta (11) a sábado (13), em Salvador, na Bahia, surge como vital para reunir e dar fôlego à sigla no momento de crise.

Em discurso oficial, Rui Falcão, presidente do PT, convocou a militância para reagir com vigor contra quem “tenta nos destruir”: “Devemos sair da defensiva e retomar a iniciativa política.

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Para isso, devemos promover uma reação vigorosa em toda a extensão do território nacional para mobilizar a nossa militância contra quem tenta e quer nos destruir. Não se pode ficar de cabeça-baixa, enquanto os inimigos fazem do boato uma notícia, da suspeita uma denúncia e da calúnia uma verdade”.

Baixo índice de aprovação de Dilma preocupa

Na quarta-feira (10), uma informação divulgada no portal da revista Época evidenciou a fragilidade que cerca o governo Dilma. Segundo uma pesquisa interna realizada pelo próprio Palácio do Planalto, #Dilma Rousseff atingiu o pior ponto de sua popularidade desde que assumiu o cargo em janeiro de 2011. Apenas 7% dos eleitores mostram-se agradados com a sua gestão.

No mesmo passo, 75% dos entrevistados desaprovam o governo e 18% o considera não mais que regular. Mesmo Fernando Collor, ex-presidente tirado de cena por um processo de impeachment, não teve números tão baixos. Em 1992, no seu período mais impopular no cargo, alcançou 9% de aprovação.  

Assessores ligados à presidenta Dilma avaliam que o clima de hostilidade dentro do próprio PT, associado à exposição que os desmembramentos da Operação Lava-Jato está dando à população, são fatores preponderantes no baixo índice de aceitação do governo.

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Diante de um cenário desanimador, com crise para dentro e para fora, o PT quer usar os dias de congresso para recuperar a sua imagem e resgatar a confiança dos brasileiros.