Com a água ameaçando chegar ao pescoço, em meio a uma fase decisiva da Operação #Lava Jato onde empreiteiros do seu círculo pessoal foram atingidos, o ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva decidiu ligar sua metralhadora giratória. Todos viraram alvos. Inclusive, acreditem, o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua sucessora, #Dilma Rousseff. Na semana passada, em evento com um grupo de religiosos, Lula chegou a dizer que o atual governo "está no volume morto" - em alusão à situação hídrica de São Paulo.

Nesta segunda-feira (22), cumprindo um papel que nenhuma oposição ao PT foi capaz de fazer em 12 anos, Lula voltou a desfilar seu rosário de críticas e admitiu, em um momento de surpreendente sinceridade, que o partido que ajudou a fundar só pensa em cargos.

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"O PT perdeu um pouco aquela utopia que tinha. Hoje a gente só pensa em ser eleito, em ganhar cargo, em ganhar emprego. Ninguém mais trabalha de graça pelo partido. Temos que definir logo se queremos salvar a nossa pele e nossos cargos ou salvar o nosso projeto de governo", avaliou Lula.

Durante o encontro "Novos Desafios da Democracia", em São Paulo, o petista insistiu na tese de que o PT precisa se reaproximar da juventude e impedir que as pessoas se afastem da política. "Precisamos rediscutir um pouco as nossas ideias para fazer essa meninada voltar a sonhar, acreditar que é possível e melhorar o mundo que vivemos. Como podemos falar em renovar se não tem jovens aqui?", disse, apontando para a plateia, que, curiosamente, foi selecionada pelo Instituto Lula.

A nova estratégia de Lula em tornar públicas suas críticas ao governo de sua sucessora coincide com o momento de pior avaliação do governo Dilma, que atingiu 65% de ruim ou péssimo na última pesquisa divulgada pelo Datafolha.

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Ao mesmo tempo, Lula sofre com a pressão jogada sobre o seu grupo político com os novos desmembramentos da Lava Jato, que teve recentemente as prisões de Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e Marcelo Odebrecht, da Odebrecht. Além disso, detalhes do seu envolvimento com as empreiteiras vieram a público nos últimos dias, como por exemplo o apelido "Brahma" - forma como era chamado por dirigentes da OAS.