Um dos países mundiais com maior número de imigrantes e descendentes italianos, o Brasil já se viu envolvido em diversas situações diplomáticas que envolviam pedidos de extradições de cidadãos brasileiros, italianos ou com dupla cidadania para um dos dois países. No atual momento, o a Procuradoria Geral da República brasileira tenta conseguir a extradição do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão no chamado processo do "mensalão", em 2013, e que atualmente cumpre pena na Itália.

No entanto, outros casos recentes também criaram questões diplomáticas entre as duas nações.

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Um deles foi o caso do ex-ativista político Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por terrorismo.

Cidadão italiano, Battisti conseguiu refugio político no Brasil em 2009, alegando ser perseguido em seu país de origem. Condenado por ter cometido dois assassinatos e ser cumplice de outros dois, o ex-militante criou grande mal estar nas relações diplomáticas entre os dois países, pois os europeus esperavam que o Brasil concordasse em extraditá-lo para cumprir sua pena em solo italiano.

Em fevereiro deste ano, Battisti teve sua deportação decretada pela juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara do Distrito Federal, que considerou que sua situação no país é irregular e que o réu deve retornar à Itália para cumprir pena de crime doloso comum. A juíza anulou o direito concedido a Battisti de permanecer no país, mas a defesa do ex-militante recorreu e aguarda julgamento do recurso, onde alega que a magistrada não possui poder para "modificar uma decisão do Supremo Tribunal Federal e do Presidente da República"

Outro caso de grande repercussão foi o do ex-banqueiro ítalo-brasileiro Salvatore Cacciola, que deixou o Brasil em 2000 após ser condenado por crimes financeiros praticados através de seu antigo banco, Marka.

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Cidadão italiano, Cacciola permaneceu exilado no país europeu, que negou os pedidos de extradição dos brasileiros por se tratar também de uma cidadão de seu próprio país.

Após intensos anos de desgaste diplomático entre os dois países para a possível extradição do ex-banqueiro, Cacciola foi preso pela Interpol em Mônaco. Estando fora do território italiano, o executivo não poderia ser protegido pelos direitos diplomáticos daquele país, e teve sua extradição autorizada ao Brasil, onde desembarcou e começou a cumprir pena em 2008. Após três anos detido no presídio de Bangu 8, no Rio de Janeiro, Cacciola foi autorizado a cumprir pena em liberdade em agosto de 2011, e em abril de 2012 teve sua punibilidade extinta pela juíza Roberta Barrouin Carvalho de Sousa, da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio de Janeiro, livrando o ex-executivo de seus débitos com a justiça brasileira. #Lava Jato #Corrupção