O empresário Emílio Odebrecht, patriarca da família e fundador da maior empreiteira da América Latina, repetiu aos quatro cantos, para quem quisesse ouvir, que se seu filho Marcelo, atual presidente da empresa, fosse preso, teriam que arrumar mais três cela, uma para ele, uma para Lula e outra para Dilma. O motivador das declarações, sempre acompanhadas de muito ódio, foi o avanço das operações da Lava Jato. Esse desabafo foi revelado por pessoas próximas ao empresário, à revista Época. Emílio sabia ser impossível que Marcelo não fosse envolvido. E foi.

Na última sexta feira, 19, Marcelo foi preso em sua casa, no Morumbi. Se seu pai revoltado já considerava sua prisão, parece que o herdeiro tinha certeza. Segundo a revista Época, nas últimas semanas, Marcelo teve encontros, sempre muito discretos, com petistas e advogados próximos a Lula e Dilma. Nesses encontros, transmitia sempre a mesma mensagem, que não cairia sozinho. Pelo menos uma das mensagens chegou à presidente, que parece não se abateu ou moveu uma palha, pois a prisão aconteceu. Certamente uma surpresa para o empreiteiro, que pensando ser intocável, se descontrolou quando a polícia chegou.

Erga Omnes, nome dessa fase da #Lava Jato, é uma expressão em latim que significa que a regra vale para todos. A expressão nunca foi tão bem aplicada.

Marcelo, antes de ser levado pela polícia federal, fez três ligações. Uma delas para um amigo que tem passe livre com Dilma e Lula e influência junto a tribunais, em Brasília. O recado foi claro. Deveria chegar à presidente, a Lula e a todos os poderes que a "lambança" deveria ser resolvida, sob pena de não haver mais República, nessa segunda feira.

Outro empreiteiro, também amigo de Brasília e preso nessa fase, é o presidente da Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do país, Otávio Azevedo. Azevedo é amigo não só do planalto, como do petista Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, de quem é compadre.

Ambas empreiteiras cresceram durante os últimos doze anos de #Governo do #PT, sendo que a Odebretch é hoje uma empresa de 100 bilhões de dólares.

Chegamos à segunda feira e a República não caiu, não confirmando as ameaças de Emílio e Marcelo Odebretch. Mas uma coisa é de se supor. Quem fez uma empresa valer bilhões, durante o período Lula e Dilma, e manda Brasília resolver a lambança de sua prisão, deve ter uma carta na manga.