Mais um político tem seu nome vinculado durante as investigações realizadas pela Operação #Lava Jato. Desta vez, foi o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, do PMDB-RJ, que foi acusado por um dos delatores. De acordo com o empresário Júlio Camargo, da Toyo Setal, em depoimento dado ao juiz Sérgio Moro nesta quinta-feira, 16 de julho, Cunha pediu a ele uma propina no valor de 5 milhões de dólares referente a um contrato de navios-sonda para a Petrobrás.

Ainda de acordo com o delator e empresário, o pedido de Eduardo Cunha aconteceu de forma pessoal e direta em uma reunião realizada na cidade do Rio de Janeiro.

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Júlio Camargo disse que o valor pedido foi pago e mediado por Fernando Soares, conhecido por todos como Fernando Baiano, denunciado como o principal articulador das operações de contrato envolvendo o PMDB e a Petrobrás.

O nome do deputado Eduardo Cunha vem ganhando destaque nos noticiários, sobretudo, devido as suas atitudes bastantes controversas, consideradas por muitos como autoritária e arrogante. Durante o seu mandato como presidente da Câmara, já se envolveu em situações polêmicas, como a "reza dos evangélicos" no final de umas das sessões, permitida por ele, e também no caso dos votos sobre a redução da maioridade penal no Brasil, na qual ele reiniciou a votação no dia seguinte por ter perdido, já que é declaradamente a favor da redução.

No entanto, mesmo sendo bastante criticado por suas atitudes controversas, essa é a primeira vez que seu nome é envolvido em um esquema de corrupção, o que, segundo cientistas políticos, pode enfraquecer a força da qual nutre atualmente na Câmara.

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Eduardo Cunha já se defendeu poucos minutos depois da divulgação pela imprensa do depoimento de Camargo. Em nota, ele afirmou que "acha estranho" o delator ter mudado de opinião de repente e afirma que essa história não passa de uma articulação do Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

Depois de ouvir o depoimento do delator, o juiz Sério Moro preferiu interromper a fala afirmando que o caso já está sendo investigado em Brasília.