Batizada de "Radioatividade", a 16ª fase da Operação Lava Jato cumpriu dois mandados de prisão temporária, 23 mandados de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva, na madrugada desta terça-feira (28). De acordo com a Polícia Federal (PF), estão sendo investigados os contratos firmados por várias empresas, já citadas na #Lava Jato, com a Eletronuclear, empresa que tem o controle acionário da União.

A Eletronuclear é uma subsidiária da Eletrobrás, criada em 1997, para projetar, construir e operar usinas termonucleares. Atualmente é responsável por 3% da energia elétrica gerada no Brasil.

Um dos detidos é o executivo da Andrade Gutierrez Flávio David Barra.

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O outro é o diretor-presidente licenciado da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, que está afastado do cargo desde abril, quando foram feitas denúncias de pagamento de propina a dirigentes da empresa. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada ou convertida em prisão preventiva. Os advogados da Andrade Gutierrez disseram estar avaliando os termos da ação, para só então se pronunciarem.

A PF investiga neste momento o pagamento de vantagens financeiras a empregados da estatal, além de formação de cartel nas obras de Angra 3, a terceira usina nuclear brasileira, que está em construção em Angra dos Reis (RJ).

Propina de R$ 4,5 milhões

Durante as investigações e depoimentos obtidos através de delação premiada, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) encontraram indícios de pagamentos de propina para o dirigente da Eletronuclear, que teriam sido feitos pelo consórcio de empreiteiras Agramon, do qual fazem parte a Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, UTC, Queiroz Galvão, EBE e Techint, e pela Engevix, que tem contratos para as obras de Angra 3.

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O procurador federal Athayde Ribeiro Costa e a PF declararam que Othon Luiz recebeu 4,5 milhões de reais em propina, na época da assinatura destes contratos em 2009.

A Eletronuclear ainda não se pronunciou sobre o caso.

A #Corrupção se espalha

Associando a corrupção nas estatais brasileiras com um termo médico, o procurador Athayde Ribeiro Costa declarou: "A corrupção no Brasil é endêmica e está em processo de metástase".