Não se esperava da forma como aconteceu, com esmagadora maioria, mas os analistas políticos já previam o resultado apresentado no plebiscito deste domingo na Grécia. Cabe perguntar se cada um dos que depositaram seu voto na recusa, sabiam no que estavam votando e quais as consequências, que podem ser graves.

Apesar da importância grega se resumir a 2% no contexto dos países da zona do euro, algumas lideranças, como a alemã e francesa, irão manter conversações nesta segunda-feira. Angela Merkel, interrompendo todos os seus compromissos, irá até Paris para um encontro com François Hollande. O propósito é acertar o reinício das negociações interrompidas.

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Caso a Grécia efetive o calote, bancos alemães e franceses sofrerão um grande baque que pode interferir de forma significativa no término da zona do euro. A primeira consequência que afeta todos é o aumento da dívida grega e também do impasse com os credores.

A Ásia reagiu de forma rápida e os preços de ações e do euro caíram acentuadamente nos mercados locais. Esta segunda-feira promete novidades que podem não ser tão boas. O efeito borboleta (no qual reza-se que quando uma borboleta bate as asas na Ásia, os efeitos podem atingir os locais mais distantes, como proposto pela teoria do caos) pode provocar efeitos em todo o mundo.

Pode ter sido bonito ver as cenas de patriotismo, com o povo grego jubiloso nas ruas, mas acredita-se que quando os gregos caírem em si, muitos poderão se arrepender da atitude tomada neste domingo.

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Espera-se que isto não venha a acontecer, mas é sabido que o capital, quando não remunerado, pode ser retirado e deixar economias abaladas.

Quem defende que um mau acordo é melhor que uma boa pendenga judicial está em cima do muro e na espera da reação do mercado. Não faltam arautos do apocalipse. Eles apenas esperam os primeiros resultados para tocar as suas trombetas para derrubada da muralha de Jericó. Então poderão se colocar na posição de doutos e dizerem: "Eu já sabia".

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, parece saber o que está falando quando se pronuncia e diz: "Você fizeram uma escolha muito corajosa". Isto será verdade se a boa vontade internacional, que tem capacidade para resolver o problema, pender para o lado dos gregos.

Mas a situação na qual entre quatro gregos, um está desempregado, um está em algum subemprego e os outros dois submetidos a um estresse, com o medo da perda de sua zona de conforto, estava insustentável. É preciso aguardar a evolução dos acontecimentos. Enquanto isto, somente as rezas poderão acalmar mentes agitadas. A propagação do medo pode trazer consequências muito desagradáveis. #Europa #Crise econômica