Por mais que a #Crise econômica atinja em cheio a Grécia, não se pode esquecer algo que é um verdadeiro paradoxo as condições em que este país se encontra, ou seja, o período de depressão presente naquela região em nada lembra a Grécia das décadas de 1970 e 1980. Sim, uma nação marítima desde a antiguidade ou como é descrito por alguns como um país que é uma península montanhosa rodeada pelo mar Mediterrâneo.

Até hoje os armadores gregos ainda possuem quase um quarto dos petroleiros do mundo, transportam 16% da carga marítima global e possuem ativos de mais de US $ 100 bilhões. Na era moderna, os construtores navais e estaleiros gregos tornaram-se verdadeiros titãs da indústria internacional.

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No final dos anos 1980, os trabalhadores do bairro de Perama, arredores de Atenas, trabalhavam 2 ou 3 turnos por dia para atender a demanda da indústria naval.

Entretanto, alguns anos mais tarde, a Grécia assinou um acordo com a UE que exigia do país a redução de sua indústria naval para permitir o desenvolvimento das indústrias navais da Itália e da Alemanha (por ironia, a mesma Alemanha que hoje arbitrariamente impõe políticas econômicas de austeridade aos gregos). Após a crise financeira de 2008, a indústria encolheu mais ainda junto com o comércio marítimo mundial.

Para piorar toda esta situação, George Stathakis, o ministro da economia, infraestrutura, transporte e turismo, anunciou que o governo privatizará os estaleiros de Perama e o porto Ateniense de Pireu, o que gerou a reação automática dos trabalhadores em estaleiros, os quais afirmaram que vão lutar se o governo insistir nesta ideia da venda, pois todos os dias, por volta das seis da manhã, os homens se reúnem neste porto fora de Atenas para ver se um novo navio chegou e se tem a necessidade de reparos, sustentando assim a si e as suas famílias.

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O primeiro ministro grego Alexis Tsipras, do Syriza, prometeu que iria reorganizar a dívida pública da Grécia, renegociando os acordos de resgate do país com a UE, BCE e FMI, rejeitando propostas para vender ativos públicos como os do estaleiro de Perama, o que está se tornando mais difícil de ser cumprido, basicamente porque as negociações para a redução dos pagamentos têm enfrentado oposição constante na líder alemã pró-austeridade Angela Merkel, uma conservadora "democrata-cristã". Será que um dos governos mais de esquerda na Europa, eleitos com base na sua promessa de reparar os danos causados ​​pelo colapso de Wall Street, a crise da zona Euro, e pela multiplicação da dívida pública da Grécia, agora a mando dos seus credores, desmantelará os ativos do Estado e, por extensão, a classe trabalhadora que depende deles?

Yannis Deligiannis, secretário do sindicato dos trabalhadores dos estaleiros gregos, resume o sentimento da classe quando conta um pouco do que está acontecendo: "trabalho na indústria naval desde que eu tinha 14 anos de idade e fui arrimo de família com esse trabalho.

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Este governo (o do Syriza) não está dizendo a verdade, você não pode continuar a fazer parte da #União Europeia que nos impôs todas estas medidas de austeridade". Ele afirma ainda que "o sindicato vai ganhar sua batalha contra a privatização do porto, pois quando os políticos venderem o estaleiro para uma empresa privada, esta mesma empresa, irá demiti-los." E conclui, "podemos ser analfabetos, mas temos consciência de classe. Nós não ficaremos apenas olhando a situação, nós vamos lutar contra os políticos". #Crise econômica