Em depoimento à Operação #Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobrás, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi acusado pelo lobista e ex-consultor da empresa Toyo Setal, Julio Camargo, de reivindicar cinco milhões de dólares em propina. Nesta sexta-feira (17), o deputado anunciou seu rompimento político com o #Governo da presidente Dilma Roussef, afirmando que o governo teria pressionado para incriminá-lo.

Por sua vez, Camargo, que é um dos delatores da Lava Jato, diz ter sido pressionado por Cunha a pagar 10 milhões em propina, para viabilizar um contrato de navios-sonda da estatal. Deste valor, o deputado teria pedido para si a metade.

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O delator declarou à Justiça Federal do Paraná, onde corre o processo, que não possuía recursos para pagar a propina exigida e que então foi ameaçado com um requerimento na Câmara dos Deputados, o qual solicitaria que os contratos fossem avaliados pelo Ministério de Minas e Energia e, posteriormente, fossem enviados para o Tribunal de Contas da União (TCU).

Logo após a notícia do depoimento de Camargo, o presidente da Câmara divulgou uma nota acusando o lobista de mentiroso e o desafiando a provar o que disse. Em entrevista à Folha de São Paulo, Eduardo Cunha afirmou que tudo isto é vingança do governo e que "parece que o Executivo quer jogar sua #Crise no Congresso". E foi além. Criticou a atuação do Ministério Público, questionando o fato de não haver investigações contra a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, que, segundo ele, foram citados em depoimentos do doleiro Alberto Youssef.

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Criticou o juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação, dizendo que este pensa ser dono da Justiça. Cunha declarou que deseja que o processo vá para o Supremo Tribunal Federal (STF), porque possui foro privilegiado. Afirmou ainda, que os condutores da Lava Jato escolhem quem investigar.

Fazendo acusações para todos os lados, Eduardo Cunha falou que os mandados de busca e apreensão executados pela Polícia Federal, nas casas dos senadores Fernando Collor (PTB-AL), Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI), foram "orquestrados" pelo governo, com o intuito de constranger o Congresso Nacional.

Após o anúncio oficial de seu rompimento político com o governo, especula-se que agora Cunha ameaça instalar uma série de CPIs que seriam incômodas para Dilma. Nos bastidores da Câmara, fala-se em investigações nos fundos de pensão e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Ele também teria mencionado que deve votar contra as contas do governo de 2014, a serem julgadas pelo TCU em agosto.