Na última quarta-feira, 15, os deputados federais voltaram atrás e decidiram manter o cargo de quatro anos para presidente da República, deputados (estaduais e federais), e governadores, além dos oito anos para senadores. Com isso, a PEC da #Reforma política redigida pela Câmara está quase frechada, faltando apenas a decisão quanto a liberação de doações por parte de empresas para campanhas políticas, o que será decidido em agosto, assim que os deputados voltarem do recesso, iniciado na última semana.

Especialistas acreditam que a decisão de manter as atuais durações para os cargos ocorreu porque muito provavelmente esse tópico seria barrado no Congresso, pois diminuiria de oito para cinco anos o tempo do mandato dos senadores.

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Por conta disso, os deputados já se anteciparam e voltaram atrás nesse ponto do texto, mantendo todos os outros tópicos já aprovados. A ideia de definir em cinco anos os mandatos surgiu numa tentativa de compensar a decisão pelo fim da reeleição para cargos executivos, mas, para evitar conflitos com os senadores, a Câmara optou em deixar tudo como está.

Para o crítico político e escritor Luciano Pires, a reeleição não é um problema a ser resolvido. "O processo em si não é um problema, o problema são as pessoas que usam o processo em seu benefício, colocando a máquina que deveria estar a serviço do povo para trabalhar para garantir a reeleição. Como não existe punição, é festa. Para mim, acabar com a reeleição é como a história do marido que pega a esposa com o amante no sofá e joga o sofá fora.

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Se a reeleição cair, dentro de alguns anos voltará, com os argumentos de que 4 ou 5 anos é muito pouco, etc etc etc", afirma Luciano.

Doações eleitorais

Um dos assuntos mais polêmicos em se tratando de política atual é sobre as doações que empresas privadas fazem para as campanhas dos candidatos a cargos políticos. Na última eleição, em 2014, esse tópico foi muito batido em diversos debates que ocorreram, sobretudo, nos meios de comunicação. Para Luciano Pires, essa situação é a mesma da reeleição. "Colocam a culpa no processo e não nos indivíduos que manipulam o processo. Proibindo ou liberando as doações de empresas, o que muda, afinal? O projeto de proibição das doações que foi discutido, por exemplo, apenas tornaria maiores os caixas 2,3 e 4", diz.

"Em todos os sistemas políticos do planeta as empresas usam instrumentos de pressão legais e ilegais para defender seus interesses, e isso é impossível de ser evitado. Empresas fazem parte da sociedade, são legítimas e devem poder defender seus interesses, sim senhor, desde que dentro da lei.

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Repito: dentro da lei. O problema, mais uma vez, é a falta de fiscalização, a impunidade, o aparelhamento da máquina pública em favor da geração de caixa para os partidos, etc. Mas preferem mudar a lei, como se isso resolvesse o problema", lamenta o crítico político.

"O que tem para agora"

A população brasileira que acompanha os noticiários sobre a Reforma Política vem se perguntando o que, de fato, vai mudar na política do país. Devido a um cenário cada vez mais conturbado, muitos ainda duvidam se os atuais políticos serão capazes de criar algo benéfico na prática. "Essa proposta é 'o que tem pra agora'. Não acredito que qualquer proposta de mudança mais radical passe pelas discussões nas duas casas. Teremos que nos contentar com mudanças incrementais, leves, que ataquem os problemas um por vez, mediante as negociações de praxe. E não parar de propor mudanças", afirma Luciano Pires.

"Há muito a fazer para consertar o Brasil. Tanto que, às vezes, penso que será impossível. Mas o que temos que considerar é que política não é ciência exata. É um jogo de xadrez, repleto de interesses, de gente jogando contra, de gente tentando se dar bem, de cobras. E é dentro desse ofidiário que aqueles que têm boa vontade, precisam sobreviver. Você não tem que se conformar com isso, mas tem que entender que é assim que funciona", explica o crítico político e escritor.