Nesta terça-feira (25), a CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados, presidida pelo Deputado Hugo Motta (PMDB/PB), realizou uma acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, com o objetivo de esclarecer contradições nos depoimentos de delação premiada de ambos os condenados pela Operação Lava Jato. Com início por volta das 15 horas e término às 19:25, o resultado ficou aquém do esperado.

Principais momentos

Num dos momentos mais “quentes”, o Deputado Delegado Waldir (PSDB/GO), exaltado, afirmou que existem provas contundentes contra a presidente Dilma Roussef, o ex-presidente Lula e Graça Foster, ex-presidente da estatal.

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O Deputado indagou se os líderes desta organização criminosa serão identificados, pois, segundo ele, toda a organização criminosa tem ao menos um líder e afirmou que o Brasil aguarda sua prisão. Insinuando que o nome do líder não foi revelado porque haveria tentativa de extorsão ou oferta de vantagem para os delatores, perguntou se Youssef ou Paulo Roberto teriam sido ameaçados. Ambos negaram. Youssef acusou de líderes do esquema os políticos do Partido Progressista (PP). Já Paulo Roberto Costa disse ter fornecido uma extensa lista com nomes dos envolvidos. Falou ainda que por ter sido o primeiro a fazer o acordo de delação, não teria havido tempo para extorsão.

O doleiro confirmou ter a percepção de que o Planalto tinha conhecimento do esquema de corrupção pelas conversas que ouvia. Paulo Roberto confirmou esta percepção e respondeu que se sentia mais seguro por saber deste conhecimento.

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Sobre a compra da refinaria de Pasadena, o Deputado Antônio Imbasshy (PSDB/BA), citou os indicados pelo PT para cargos na diretoria da Petrobras e disse crer que Dilma deveria saber de tudo, pois na ocasião era presidente do conselho da Petrobras, responsável pela aprovação da compra da empresa.

O Deputado Paulo Pimenta (PT/RS), aproveitou para questionar a atuação da CPI, dizendo que é preciso investigar Aécio Neves no caso Furnas, segundo ele “ainda nebuloso”.

Youssef, que declarou ter recebido R$ 9 milhões em propina, disse ter tratado diretamente com o deputado José Janene (PP/PR).

Sobre a acusação de que o ex-ministro Antônio Palocci teria pedido a Youssef para arrecadar dinheiro para a campanha de Dilma em 2010, o doleiro negou. Paulo Roberto Costa afirmou ter autorizado o repasse de 2 milhões para a citada campanha, referindo-se ao dinheiro como “a cota do PT”.

Em um bate-boca com o deputado Celso Pansera (PMDB/RJ) o doleiro declarou-se intimidado. Pansera disse não ter segurança nem arma e que se sentiu ameaçado por um bandido que já foi condenado.

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Ao que Youssef respondeu: “não sou bandido, vou me defender na justiça”.

Suspense

Sem revelar o nome, Alberto Youssef afirmou que outro réu da #Lava Jato está contando o que sabe sobre as doações para a campanha de Dilma e que em breve isto será noticiado.

Ao encerrar, Hugo Motta defendeu o trabalho e a credibilidade da CPI, assim como a necessidade de acareações.