A infindável discussão ideológica promovida a cada #Manifestação que ganha as ruas do país apresenta duas faces bem claras. Os esquerdistas apontam que o domínio de uma elite branca, saudosista do regime militar, compõe grande parte dos movimentos que pedem o #Impeachment de Dilma Rousseff. A direita, por sua vez, alega que a adesão aos protestos contra o governo petista já transcende classe social e poderio financeiro.

No centro de tudo isso, o país resiste bravamente nadando em braçadas lentas contra uma crise que se hospeda na veia política do governo para se espalhar por setores como a economia, a segurança pública e a saúde – que padecem em um Brasil que teima em não encontrar um rumo mesmo um ano depois de uma democrática eleição.

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Cientista e consultor político graduado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação em grandes centrais patronais em países como França, Espanha e Inglaterra, Rubens Figueiredo avalia que é um erro classificar os manifestantes como saudosistas do regime militar. Em entrevista exclusiva à Blasting News Brasil, ele diz que um eventual pedido de impeachment, se obedecer as bases jurídicas exigidas, poderá fortalecer a democracia brasileira.

“Entendo que é o mais absoluto despautério associar os manifestantes como saudosistas do regime militar. Todas as pesquisas mostraram que aqueles que aderiram aos protestos apresentam escolaridade alta. Ao mesmo tempo, observa-se que os homens acabam participando mais que as mulheres e mais que os jovens, que participaram ativamente dos movimentos de junho de 2013”, salienta Figueiredo.

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“O impeachment sempre vai ser apoiado em bases legais. Eu entendo que poderá fortalecer a democracia no Brasil. No entanto, o cenário atual aponta para uma situação extrema, que trará uma reação do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos seus grupos ligados, como a CUT, sindicatos e movimentos sociais”, completa.

Oposição se mexe

No dia 16 de agosto, data da última grande manifestação contra o governo, lideranças importantes do PSDB, como Aécio Neves, também foram às ruas e deram peso às demandas apresentadas pelo povo. Figueiredo escreveu, em parceria com o ex-presidente e líder do PSDB Fernando Henrique Cardoso, um artigo abordando o capitalismo e a democracia brasileira – que teve veiculação e tiragem em diversos países. O cientista ainda nota uma oposição “encabulada”.

“O PSDB tenta seguir a todo custo a corrente que se formou nas ruas, mas o faz de uma forma bastante encabulada, por assim dizer. Mesmo sendo ele o principal grupo oposicionista, a sociedade de um modo geral não acredita mais nos partidos.

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De todo modo, há um avanço. O partido está mais aguerrido e já apresenta várias ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De 2013 para cá, mudou”, comenta Figueiredo.

Uma das expectativas dos grupos que lideravam os últimos protestos pedindo a saída de Dilma, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Revoltados Online, era de que já nas semanas seguintes pudesse entrar em votação o processo do impeachment. Com Eduardo Cunha (PMBD-RJ), presidente da Câmara, também envolto em um mar de lama decorrente da Operação Lava Jato, ainda nada foi feito. #Dilma Rousseff