Outro consenso entre especialistas de política externa e sul-americana é com relação a pouca ou quase nula influência que a atual crise política e econômica brasileira deve ter nas eleições argentinas. Mesmo em crise, o Brasil ainda se mantém como a maior potência comercial do continente, permanecendo como atrativo para os países vizinhos, sobretudo, a Argentina, principal aliado dentro do MERCOSUL.

“Não acredito numa influência muito direta. Ninguém vai usar o exemplo brasileiro para atacar um ou outro candidato por lá. Quando muito, vai se fazer uma ou outra referência à política brasileira. Não sei se lá eles têm noção do quão complicada é a nossa crise política porque eles também vêm de um histórico de crises.

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A Argentina já está em recessão há bastante tempo, então não acho que eles pensem que vamos atrapalhá-los ou ajudá-los de alguma maneira. Não deve haver uma influência muito impactante”, diz Célio Tasinafo, professor de História da Oficina do Estudante.

“Não acredito que o Brasil possa influenciar diretamente as eleições argentinas. Contudo, a crise política que tem sido vívida não apenas pelo PT, mas pelos outros governos de esquerda latino-americanos, aponta para os limites desse modelo de #Governo. A corrupção é sinal claro desses limites e tem sido problema grave em vários países da região, como o Chile, por exemplo, no governo de Bachelet. É nesse sentido que forças externas podem influenciar as eleições argentinas”, afirma Gabriel Fonteles, professor da UniCEUB.

“O modelo de governo dos Kirchner teve suas raízes vinculadas à ‘guinada à esquerda’ da América Latina, no começo dos anos 2000.

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Agora, é provável que uma reação de oposição ao kirchenerismo (e, como consequência, à candidatura de Daniel Scioli) ganhe força à medida que cresce a frustração da sociedade, que enxerga de modo superficial uma relação direta entre as esquerdas e a corrupção. É provável que isso se suceda em compasso cadenciado, também, no Brasil e no Chile, por exemplo”, conclui Fonteles.

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