O Parlamento deve, por definição em uma sociedade ideal, ser a representação dos interesses mais diversos do povo brasileiro. É de se imaginar que na “Casa do Povo” as fatias mais diversas da sociedade estejam lá representadas e tenham suas bandeiras defendidas de forma igualitária, mas um setor vem crescendo – tanto sua bancada como no censo do IBGE – e tomando conta de boa parte do cenário e debate político nacional.

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a dados de 2010, o número de evangélicos no Brasil cresceu 61,45% na última década (2000-2010). Na virada do milênio, 26,2 milhões de brasileiros se disseram evangélicos, um total de 15,4% da população.

Publicidade
Publicidade

Em 2010, esse número cresceu para 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros.

Com maior crescimento na sociedade, já era de se imaginar que a representatividade no cenário político também aumentasse. Antes do pleito de 2014, segundo números oficiais da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), eram 68 o número de deputados que a representavam. Agora, com números atualizados pós-eleições, são 88 parlamentares, um crescimento de quase 30%.

Estandartes da FPE                          

Alguns dos principais nomes da Bancada da Bíblia ganharam notoriedade por serem autores de projetos, no mínimo, polêmicos e por posições fortes com relação a assuntos fervilhantes na sociedade.

O presidente da FPE, João Campos (PSDB-GO), por exemplo, foi o autor do projeto que ficou conhecido como “cura gay”, arquivado após muita pressão popular.

Publicidade

O polêmico texto, por sinal, havia sido aprovado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, com sessão presidida pelo deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), outro integrante da FPE.

Uma outra bandeira, ou melhor, estandarte – um simbolismo mais suntuoso – defendido pela Bancada da Bíblia é o PL 6.583/2013 ou, simplesmente, Estatuto da Família. O conservadorismo foi enfiado goela a baixo da sociedade por pressão dos parlamentares e o projeto aprovado, tendo que passar ainda pelo Senado.

Cunha e seus discípulos

Coincidência, ou não, após a posse de #Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como presidente da Câmara dos Deputados, a Bancada da Bíblia ganhou força e colocou “as mangas de fora”, podendo atuar livremente embaixo da asa do cara do momento. “Aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, por exemplo, foram algumas das palavras do chefão após chegar ao posto mor da Câmara.

Por falar em aborto, Cunha é autor do PL 5.069/2013, que prevê a criação de diversas dificuldades para mulheres que sofrem violência sexual chegarem a rede pública de saúde e terem o direito constitucional ao aborto.              

Foi na gestão Cunha que a PEC 171/1993, que trata a respeito da Redução da Maioridade Penal, amparada por passagens bíblicas, foi aprovada na Câmara.

Publicidade

A força conservadora ainda conseguiu barrar o ensino da ideologia de gênero nas escolas do Plano Nacional de Educação.

Quantidade de parlamentares da FPE por partido

PRB – 14

PR – 11

PSC – 8

PSDB – 8

PMDB – 7

PSD – 5

PTB – 5

SD – 5

PSB – 4

PT – 3

PPS – 3

DEM – 3

PDT – 2

PP – 2

PROS – 1

PMN – 1

PHS – 1

PV -1

PRP -1

PTN – 1

Rede -1

Sem partido – 1 #Congresso Nacional