Depois de ter declarado na CPI da Petrobras que não possui dinheiro no exterior, o presidente da Câmara dos Deputados #Eduardo Cunha (PMDB/RJ) foi desmentido por procuradores suíços. As investigações naquele país chegaram a quatro contas secretas que seriam de Cunha. Com depósitos que somam 5 milhões de dólares, as contas foram bloqueadas pela Justiça suíça, por suspeita de lavagem de dinheiro. 

Para fugir de investigações como a que está acontecendo agora (devido ao acordo de cooperação criminal entre o Brasil e a Suíça), as contas foram abertas em nome de empresas offshore localizadas em paraísos fiscais, ou seja, países que não fariam denúncias.

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A lei suíça exige que cada conta bancária tenha um beneficiário, para evitar que transite no país dinheiro advindo de terrorismo, tráfico de drogas ou, o que parece ser o caso de Eduardo Cunha, suborno. As quatro contas, que estavam sendo rastreadas desde abril, têm o presidente da Câmara como beneficiário. Em uma delas aparece também o nome de sua esposa, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz.

Preso na Operação Lava Jato, João Augusto Henriques, lobista do PMDB, teria enviado dinheiro para uma destas contas. Henriques alega que fez o depósito sem conhecer quem seria o destinatário, a pedido do filho do deputado Fernando Diniz, também do PMDB, morto em 2009. Há suspeitas de que esta seja uma estratégia para proteger Eduardo Cunha.

Quebra de decoro parlamentar

No dia 20 de agosto, foi apresentada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF), denúncia contra Cunha por #Corrupção e lavagem de dinheiro.

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O deputado é o principal político investigado no esquema de corrupção da Petrobras. Ainda assim, se manteve no comando da Câmara. Agora poderá ser aberto um processo de perda de mandato por quebra de decoro parlamentar. Caso se confirmem as suspeitas de que as contas pertencem a Cunha, ficará provado que ele mentiu ao depor na CPI da Petrobras, o que descumpre o regimento da Casa. Porém, o processo de cassação necessariamente passa pela Comissão de Ética, onde o deputado conta com uma forte base de apoio. Apesar disso, a hipótese não está descartada.

Para amenizar o desgaste de sua imagem, Eduardo Cunha poderá optar pela renúncia. Caso o STF acate a denúncia, o deputado se torna réu e corre o risco de ser condenado.

As investigações, iniciadas na Suíça, terão andamento no Brasil. Todo o material foi enviado ao Ministério Público, cumprindo o acordo assinado entre os dois países em 2009.

 

  #Lava Jato