Uma nova denúncia recai sobre o primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, e braço direito de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Beto Mansur (PRB-SP). Depois de ter sido o responsável por avisar aos parlamentares a extensão de benefícios, incluindo novas opções de utilização da cota para o exercício da atividade parlamentar (ceap), parece que Mansur quis dar o exemplo e deixou a criatividade fluir para gastar a verba pública. O deputado gastou pelo menos R$ 100 mil, pagos a um escritório de advocacia, para copiar da internet pareceres jurídicos sem a autorização dos autores, segundo reportagem da Revista Congresso em Foco.

O desencontro de informações foi observado pela Operação Política Supervisionada (OPS), uma iniciativa da sociedade civil que busca fiscalizar a utilização da verba parlamentar.

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Foram encontradas cópias de trabalhos acadêmicos de estudantes do 1º semestre de direito até matérias jornalísticas, sendo que na maioria das vezes nem a fonte havia sido citada no parecer. O escritório Matheus e Mendes Sociedade de Advogados foi o responsável pela emissão das notas fiscais.

Procurada pela Revista Congresso em Foco, a hoje advogada, à época aluna do 1º semestre de Direito, L. A. S pediu para não ser identificada. A cópia quase que em sua totalidade foi realizada de um trabalho seu datado de 2008 que tratava sobre a redução da maioridade penal. Obviamente não foi citada nenhuma fonte no parecer produzido pelo escritório de advocacia contratado pelo parlamentar.

Outra cópia foi feita, agora do advogado F. G., de Curitiba, que também preferiu não se identificar a reportagem.

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No caso, a reprodução pelo escritório contratado pelo deputado era um parecer sobre telefonia móvel.

Por esses dois pareceres, as notas fiscais de números 603 e 610 entregues à Câmara dos Deputados para comprovar a realização do trabalho e o pagamento para o escritório de advocacia e que foram ressarcidas em sua totalidade ao bolso do parlamentar custaram R$ 38 mil.

Foram analisados aleatoriamente apenas oito dos 74 pareceres jurídicos referentes às notas fiscais entregues à Câmara em que a empresa de advocacia era responsável.

Combinação antiga

O escritório Matheus e Mendes Sociedade de Advogados é localizado na cidade de Santos, curral eleitoral de Beto Mansur. Para aumentar ainda mais a proximidade entre as parte, um dos sócios do escritório, Wagner Luiz Mendes, consta como advogado de Mansur em ações na Justiça eleitoral.

E os pagamentos do deputado ao escritório de advocacia não param apenas nas cópias da internet. De 2008 a junho de 2015, foram gastos R$ 1,17 milhão da cota para o exercício da atividade parlamentar do deputado com o escritório de Wagner Luiz Mendes. #Congresso Nacional