A situação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-Rio de Janeiro), está para lá de complicada. Apertado de um lado pela bancada do PSDB, que pede seu afastamento, e de outro pelo PT, que aguarda parecer do relator do processo por quebra de decoro parlamentar, para definir como seus representantes no Conselho de Ética irão votar, ele vai, aos poucos, deixando livre o caminho para sua sucessão na casa. Mas se o leitor acha que o palhaço Tiririca é uma aberração, em Brasília, precisa saber de alguns fatos que colocam os parlamentares que orbitam a cadeira de Cunha em situações que vão do desconforto ao insólito.

Começando por Fernando Giacobo (PR-Paraná), 2º Vice-Presidente da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

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Giacobo está em seu quarto mandato consecutivo e, se precisar de contar com a sorte para ocupar a cadeira, já pode ir comemorando. Em junho de 1997, quase seis anos antes de ser eleito deputado federal pela primeira vez, ele ganhou 12 vezes em loterias da Caixa em – pasme! – apenas 14 dias. Na época, os prêmios totalizaram R$ 134 mil que, corrigidos, dariam algo em torno de R$ 555 mil, hoje.

Indagado pela “Folha de São Paulo”, em setembro de 2004, Giacobo atribuiu tudo à sorte e, obviamente, Deus: “Ele deu uma olhadinha lá e uma benzida. Mas faz tantos anos e, para você ter uma ideia, eu nem era filiado a partido nenhum. Deve ter sido um mês que eu joguei bastante”, justificou o político que, diante da insistência das indagações acabou apelando: “Vai lá, consulte a Caixa, manda a Polícia Federal averiguar se o jogo não é quente”.

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Beto Mansur (PRB-São Paulo), 1º Secretário da Mesa Diretora, foi pivô de um inquérito, aberto em 2005, em que fiscais do Ministério do Trabalho encontraram 46 trabalhadores em condição análoga à escravidão em uma fazenda de sua propriedade, no interior de Goiás – foi condenado a pagar multa trabalhista de R$ 200 mil, em abril de 2014. Sete anos depois, outro inquérito semelhante foi aberto, desta vez por condições degradantes impostas a 22 trabalhadores – a peça foi arquivada no último mês de junho.

No caso de Ronaldo Lessa (PDT-Alagoas), é o sobrenatural que entra em cena. Em agosto do ano passado, um processo que jugaria sua inelegibilidade desapareceu do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas. Os autos, que deveriam ser devolvidos em 14 dias, ficaram sumidos por seis meses e só reapareceram no dia 12 de março deste ano, quando Lessa já estava empossado na Câmara Federal. O sumiço causou um imbróglio e, hoje, só o Supremo Tribunal Federal (STF) tem competência para julgar o caso.

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O ex-senador e ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-Amazonas), também se envolveu em um escândalo que fica entre a sorte e o sobrenatural. Enquanto o deputado federal esteve à frente da pasta, um esquema de propinas foi denunciado. Nascimento afastou seu chefe de gabinete, seu assessor, o diretor-geral do DNIT e o diretor-presidente da Valec. Entregou o ministério poucos dias depois do caso se tornar público, mas não explicou como a Forma Construções, de propriedade de seu filho, teve seu patrimônio multiplicado em 86.500% - de R$ 60 mil para R$ 50 milhões – durante seus dois períodos de gestão.

Pelo visto, se Cunha realmente “largar o osso” vai é deixar saudades... #Corrupção #Eduardo Cunha