Nesta quinta-feira, dia 19 de novembro, a Câmara dos Deputados teve mais um dia bastante agitado. A sessão, na Comissão de Ética, que analisa o parecer que cita o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por quebra de decoro parlamentar, foi abruptamente suspensa, por mais uma das manobras arquitetadas pelo próprio Cunha. Foi uma tentativa do mesmo ganhar tempo e adiar o processo que trata de sua cassação como deputado federal.

O início da sessão do conselho de ética foi tumultuado. Políticos ligados ao presidente da Câmara tentaram ao máximo adiar o início dos debates, o que deu tempo suficiente para que Cunha iniciasse a sessão no plenário da Câmara.

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Pelo regimento da casa legislativa, todas as demais sessões devem ser encerradas, quando do início da sessão na plenária. Deliberadamente, Cunha inicia a sessão e com isto, a análise do relatório, na comissão, teve que ser suspensa.

Cunha se aproveitou da situação para disparar contra a própria comissão de ética. Ele afirmou que iniciar uma sessão na comissão, sem a possibilidade de defesa, pois o mesmo, estava em plenário, constituiu um grande irregularidade, que impossibilitaria a sua defesa. O deputado ameaçou ingressar no STF e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), questionando as irregularidades e as infrações da comissão ao regimento interno da câmara.

Cunha aproveitou para culpar os políticos que perderam a eleição para a presidência da Câmara, pela manobra contra ele, classificando o ato como uma tentativa de golpe.

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O político dirigiu-se também aos parlamentares do governo, que por um acordo, deveriam apoiá-lo, de participarem do suposto ato golpista, classificando-os de maneira implícita, um ato de traição.

A reação por parte dos parlamentares veio rápido. Os integrantes da comissão de ética, acusaram abertamente Cunha de manobrar contra a realização da mesma. Cunha, deliberadamente, deu início à sessão no plenário da Câmara, quinze minutos mais cedo, o que só acontece às onze horas, nas quintas-feiras. Com isto, a sessão teve que ser encerrada na comissão.

A revolta dos parlamentares aumentou quando os aliados de Cunha, iniciaram a ordem do dia, votando o requerimento que pedia a anulação da sessão do Conselho de Ética, justamente, sobre a situação de Cunha. Isto foi suficiente para que os parlamentares esvaziassem o plenário, muitos ao gritos de palavras de ordem tais como "vergonha" e "Fora Cunha". 

O ponto alto de toda a polêmica se deu quando a deputada Gabrili (PSBD-SP) teceu críticas à postura de #Eduardo Cunha.

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A deputada, cadeirante, falou das dificuldades de se chegar ao plenário e pediu que Cunha desse o exemplo. Ela questionou o comportamento de mesmo e disse que ele não tinha mais legitimidade de ocupar a presidência da Câmara. Em seguida, convocou todos os deputados a se retirarem da sessão, pela falta de decoro para com os parlamentares que ali estavam presentes, que eram tratados como imbecis pelo próprio Cunha e por respeito ao povo brasileiro, que eram os responsáveis pela condução dos políticos até aquela casa. Cunha assistiu a tudo calado, sem rebater nada.

Numa tentativa de se restabelecer, Cunha voltou atrás e revogou a decisão de cancelar a reunião no Conselho de Ética. O mesmo afirmou que não iria se constranger com as ameaças dos parlamentares e culpou mais uma vez, o presidente da comissão pelo início da confusão, por ter desrespeitado o regimento interno da casa.

  #Crise #Congresso Nacional