O presidente da Câmara dos Deputados #Eduardo Cunha declarou em entrevista coletiva à imprensa nesta segunda-feira (30), convocada por ele, que está indignado com o que foi divulgado ontem, sobre uma anotação encontrada na casa de Diogo Ferreira, chefe de gabinete do Senador Delcídio do Amaral, presos na Operação Lava Jato. Cunha nega conhecer Ferreira e diz que o manuscrito deve ter sido "plantado". O deputado disse ainda não ter a menor dúvida de que foi vítima de armação. Ele afirma que a emenda de sua autoria, à medida provisória em questão, prejudicaria os interesses dos bancos em liquidação. Cunha encerrou a coletiva dizendo: "é uma situação absurda".

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O que diz a anotação que incriminaria Cunha

A anotação, que foi apreendida pela Procuradoria-Geral da República, aponta que o banco BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, pagou 45 milhões de reais a Cunha pela inclusão de uma emenda à medida provisória número 608, que trata de operações bancarias e foi aprovada em 2013. O banco BTG Pactual é proprietário da massa falida do banco Bamerindus e teria interesse em usar os créditos fiscais deste. Um dos artigos desta medida podem ter beneficiado o BTG. Porém, o deputado diz que das 28 emendas apresentadas, duas eram de sua autoria e eram contrárias aos interesses do BTG. Falou também que todas foram rejeitadas.

A nota diz ainda que outros parlamentares do PMDB, partido de Cunha, também receberiam parte desta quantia.

Ao reagir com veemência à revelação do manuscrito, Cunha preferiu não fazer acusações.

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Afirmando que não quer ser leviano e que aguardará as investigações, o deputado disse ter pedido a seu advogado para ter acesso à anotação que, segundo ele, "não é uma prova".

Cunha não negou ser amigo de André Esteves e confirmou que se encontraram várias vezes em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Quanto a Diogo Ferreira, o deputado cobra que seja questionado sobre a motivação desta nota.

Retaliação ao governo

Visivelmente irritado, nos bastidores o parlamentar ameaça retaliações ao governo. Uma das opções seria aceitar um pedido de impeachment contra a presidente Dilma, dizendo que pode decidir isto hoje ou durante a semana, apesar de ter conversado ultimamente com membros do PT a fim de obter votos favoráveis no Conselho de Ética.

Outra medida que pode ser tomada por Cunha é a prorrogação de CPIs que ao governo interessa que se encerrem, como as CPIs dos fundos de pensão e do BNDES.

Lava Jato

Cunha é investigado pela Lava Jato, acusado de possuir contas secretas na Suíça abastecidas com dinheiro de propinas em operações da Petrobras. O Conselho de Ética da Câmara pode cassar seu mandato.